Advogada, funcionária pública federal, seria difícil Vilma não gostar de animais desde sempre, visto que seu pai, o conhecidíssimo e de saudosa memória João Batista Giraud, foi o idealizador do Bosque do Jacarandá de Uberaba. Sempre que ia ao bosque com o pai, levava um bicho diferente para casa. Mas tinha que levá-los de volta. Depois de formada na faculdade teve seu primeiro pet e, de lá para cá nunca mais deixou de ter e cuidar muito bem dos animais. Vilma Rocha Vasconcelos se auto define como “esposa, mãe, amante da natureza e dos animais”.
” Quando se gosta de animal, a ligação é tanta que quando nos damos conta estamos conversando através do olhar”
Marcos Moreno– Você sempre gostou de animais?
Vilma Vasconcelos- Sim. O Bosque Jacarandá de Uberaba quem o idealizou e concretizou foi meu pai João Batista Giraud. Um anjo que por essa terra passou e, dentre tantas coisas boas que fez pela família, crianças, idosos e Uberaba me ensinou a amar e respeitar a natureza e os animais.
Na época, minha mãe ficava maluca, toda vez que eu ia para o bosque trazia um animal diferente para casa, o preferido era ratinho branco (os utilizados em laboratório). Vieram coelhos, peixinhos, arara, periquito, tartaruga, sagui, onça Jaguatirica, contudo, no dia seguinte, minha mãe fazia meu pai levá-los de volta.
Minha mãe não deixava ter cachorro em casa.
Eu, já formada e trabalhando, meu pai falecido, ela e meu tio (irmão dela que morava conosco) idosos que passavam o dia sozinhos, achando-os tristes e depressivos, um dia cheguei em casa com uma miniatura de fox paulistinha.
Foi o melhor remédio antidepressivo que poderia ser prescrito a eles!
Cherry se tornou a estrela da casa, viveu 13 anos, graças a Deus não os fez sentir a dor da perda porque morreu depois deles.
MM- Já teve algum especial ou todos são?
Vilma– Cherry marcou muito a mim e minha família. Ela foi minha primeira e sonhada cachorrinha, bem como o primeiro pet a ficar em casa tanto tempo, somente por esse fato pode-se dizer que ela foi mais especial.
Depois de três anos que a Cherry entrou em nossas vidas, passei em concurso público federal e fui trabalhar no Acre.
Fui sozinha, minha mãe e tio não deixaram levar a Cherry e nem poderia, pois ela era a alegria deles e ajudaria suprir minha ausência. Já instalada no Acre, fui à uma clínica veterinária e encontrei uma cachorrinha que não conseguia andar porque estava estufada de tanto comer. Perguntei por que ela estava daquele jeito? Disseram que os maiores não deixavam ela comer e quando ela tinha oportunidade se empanturrava. Não resisti e levei a cachorrinha (sem raça definida) para casa. Bonnie foi minha companheira em um excelente período de minha vida porque meu trabalho deu oportunidade de me integrar com a natureza e ver muitos animais soltos em seu habitat.
Depois de dois anos, voltei para Uberaba e trouxe Bonnie, infelizmente, ela e Cherry não se deram tão bem como eu esperava, pois o ciúme por mim não deixou, mas respeitavam-se e, juntas, nos deram alegrias por dez anos.
Após Cherry e Bonny tornarem-se “estrelinhas” vieram para nossa casa e corações Jolie (Lulu da Pomerânia que está com dez anos) e Thyna (Yorkshire). Esse ano perdemos Thyna que estava com oito anos.
Aproveito e faço o alerta não deixem piscina sem proteção. Não confiem que o cão saiba nadar e esteja acostumado em ficar próximo a piscina. Thyna estava acostumada a tomar sol próximo à piscina, fazia parte de sua rotina contudo, não sabemos o que aconteceu, em um desses dias a perdemos. Que sofrimento entre nós! Jolie quase morreu de tristeza. Ficou, literalmente, desenganada. Remédios não melhoravam o estado dela.
Tentando salvar Jolie, surgiu em nossas vidas Miúcha (Yorkshire) que devagarzinho foi conquistando o espaço dela e, principalmente, a sistemática Jolie que, hoje, apesar da idade pode-se dizer que está bem de saúde.
Em casa, além de Jolie e Miúcha, temos Ariel que é uma arara, nascida em cativeiro, legalmente adquirida e registrada. Os três, muitas vezes, ficam soltos no mesmo espaço, contudo respeitam a área limite de cada um.
São personalidades e maneiras diversas de demonstrar sentimentos, participaram ou participam de fases diferentes da minha vida. Todos só me deram felicidade…foram e são especiais.
MM– A escolha dos nomes sempre passa pela criatividade. Como foi no seu caso?
Vilma- Aqui em casa, cada um dá o seu palpite mas, sendo meu marido e filho muito educados, acabam deixando eu escolher. Adoro dar nomes aos pets! No pedigree da Lulu da Pomerânea consta o nome de Bruna Escalibur, mas a pessoa que nos vendeu a tratava por Jolie. Gostamos e achamos que Jolie combinava com ela e, assim, ficou.
A arara, também, gostamos do nome que veio no registro, então, mantivemos o nome de Ariel. Hoje ela mesma se trata por Ariel. Thyna (Yorkshire) foi meu marido que escolheu por lembrar o nome da mãe dela que se chamava Nina. Já quando sou eu que vou escolher o nome, levo em consideração alguma característica física ou comportamental do animal. Foi o caso da Cherry (sem raça definida), se parecia com Fox Paulistinha na pelagem com tamanho e constituição física de um pinscher zero, tinha o charme e temperamento de uma francesinha. De imediato foi querida. Bonnie (sem raça definida) porte e corpo de Fox Paulistinha, era uma cachorrinha forte, musculosa, na cor caramelo e nos olhos tinha um sombreado preto que lembrava uma máscara, era destemida e, por diversas vezes, no Acre e aqui, alertou e me defendeu de perigos, então o nome surgiu da dupla Bonnie and Clyde.
Miúcha (Yorkshaire) a mais novinha da família é devido ao tamanho minúsculo.
MM– Qual o limite que não deve ser ultrapassado? (para que não haja confusão entre bichos e gente?)
Vilma– Aqui em casa, muitas vezes, não respeitamos limites, pois eles transitam à vontade.
Procuramos ter e conscientizar nosso filho é em relação ao convívio pois, por mais que os amamos e estão dentro de nossa casa não deixam de ser animais e como tal podem ser acometidos por doenças transmissíveis aos humanos.
A higiene é fundamental, ou seja, lavar sempre as mãos após pegar e brincar com o pet, não deixar o pet lamber e dar selinho na boca (já vi pessoas deixando).
Dar a eles lugar próprio para dormir, comer e fazer as necessidades, bem como manter tudo, sempre, limpo.
Dar banhos e verificar se estão livres de pulgas, carrapatos e lesões na pele.
Manter vacinas em dia e levá-los ao veterinário quando necessário.
Prendê-los quando se recebe uma visita, pois eles podem estranhar e nem todos gostam de animais.
Para mim o limite que não deve ser ultrapassado para que não haja confusão entre animais e gente é a higiene e saber o momento de retirá-los de ambiente.
MM– Você acha que os pets entendem o que falamos ou só entendem comandos?
Vilma– Eles entendem até o que não falamos. Quando se gosta de animal, a ligação é tanta que quando nos damos conta estamos conversando através do olhar. A sensibilidade deles é tão grande que, quando estamos tristes, eles nos consolam com a companhia silenciosa, o olhar solidário e acolhedor. Já na alegria o rabo fica a balançar e os olhos brilhantes brindando nossa felicidade.
MM– No universo de animais selvagens, qual o que mais te atrai?
Vilma-Sem sombra de dúvida é o Leão, não é à toa que ele é o Rei.
MM- A crueldade que mais te revolta.
Vilma– O turismo da caça em que governos de alguns países, por questão financeira, permitem que matem animais apenas para satisfazer a vaidade de quem tem condição de pagar para tirar fotos com o material do crime.
MM- A generosidade que mais te comove.
Vilma– As pessoas que, na maioria das vezes com orçamento apertado, resgatam animais abandonados, cuidam, dão lar temporário, bem como os que adotam esses animais.
MM- Um filme com animal.
Vilma-Cavalo de Guerra de Steven Spielberg.
MM- Uma mensagem aos humanos em relação aos animais.
Vilma- Nascemos sem saber o que é amor, educação e respeito.
Aprendemos a amar, a ter educação e respeito é em casa.
Esses ensinamentos básicos não se aprende na escola, na rua e não necessita de ajuda governamental…a criança os tendo em casa espera-se que ame, seja educada e respeite não só o seu semelhante mas, também, os animais.
São aprendizados que se leva para o resto da vida e devem ser propagados.
