
Estamos em um momento em que colocamos em pauta o sofrimento dos cavalos de tração, aqueles que transportam carroças. Coisa que não dá mais para suportar. A tecnologia é totalmente capaz de substituir esses animais, até mesmo ajudando aquelas pessoas que deles pensam que necessitam. Mas não é só à frente das carroças que cavalos sofrem. Aliás, quando falamos de crueldade animal sempre nos referimos ao maltrato que centenas de espécies recebem diariamente, entretanto, há outros que ocorrem contra a vontade ou, em alguns casos, são produzidos por simples desconhecimento, por especismo ou simplesmente, por um espírito perverso característico da raça humana. O fato é que as corridas de cavalos, tão glamourosas, mantêm o mesmo padrão de maltrato; dopagem, esforço físico extremo para, depois os animais serem descartados.
Os esteroides e analgésicos são moeda corrente nestas práticas criminosas mascaradas pelas palavras esporte e tradição, as quais violam duas leis argentinas: Lei Sarmiento 14346. Art. 2 (5) estimular com drogas sem finalidades terapêuticas e Lei 24819 esporte antidoping (Art. 9 e 10).
Calcula-se que um em cada vinte cavalos não pode finalizar sua corrida devido ao sofrimento durante estas competições. Fraturas de ossos, tendões rompidos, contusões e ferimentos de diversas dimensões, estresse e esgotamento, problemas gastrointestinais são algumas das conseqüências provenientes dos duros treinamentos a que são submetidos. Além disso, a proliferação de atividades ilícitas e criminosas em relação às apostas é um fato, que cresce cada vez mais.
As éguas são exploradas para inseminação e forçadas a parir seguidamente, uma após a outra, e separadas das suas crias imediatamente. Os treinamentos começam precocemente, aos dois anos, quando os ossos ainda não estão totalmente formados, o que os torna mais propensos e vulneráveis a lesões e fraturas.
Viajam constantemente de uma cidade a outra e passam a maior parte do tempo trancafiados no veículo.
Os animais recebem duros treinamentos que os esgotam e produzem alto grau de estresse; são submetidos a velocidades excessivas e carregam o peso de um homem no seu lombo.
Seu final de vida costuma ser a morte em um matadouro ou a eutanásia, quando sofrem ferimentos graves ou porque não servem mais para correr.
Nos Estados Unidos, cerca de 800 cavalos morrem anualmente em acidentes nas pistas.
Na Argentina, também foram registrados casos de morte por esgotamento físico extremo, assim como, infelizmente, continua ocorrendo em várias partes do planeta.
Diversas organizações não governamentais realizaram pesquisas e conseguiram desmascarar o submundo das corridas, colocando em evidência o maltrato a que são submetidos os equinos. Há um ano, na cidade de Neuquén, na Argentina, houve um grande escândalo quando o controle antidoping realizado no hipódromo obteve13 resultados positivos em um total de 15 amostras de sangue.
Lamentavelmente, quase nada se conseguiu em relação à proibição, mas, sim, sobre o controle de efêmeros. Os interesses econômicos são enormes e, em muitos casos, as autoridades competentes para proibir estes atos criminosos contrários a duas leis nacionais e uma lei internacional, são as mesmas que garantem a sua realização.
É importante realizar um esforço em divulgar cada vez mais estes atos de crueldade animal e, obter uma punição social correspondente, para que a humanidade desperte e estes fatos terminem.
Fonte: Barilocheopina