
Biomédica, pós graduada em hematologia clínica e laboratorial, Marina Gabriela Cunha faz pós graduação em Biomedicina estética em Ribeirão Preto e trabalha na área administrativa de uma clínica de Uberaba. Tempo todo é preenchido, a gente logo pensa. Sim, mas sobra parte importante para se dedicar aos 5 cachorros que ela tem e ama demais. Não existe preferência. Eles têm características específicas, claro, personalidade, comportamento diferente. Mas todos têm em comum o amor incondicional por Marina. E a recíproca é verdadeira. Isso é tudo de bom.
“É necessário acabar de vez com os maus tratos, aplicar punições severas para aqueles que praticam esses atos”

Marcos Moreno -Você sempre gostou de animais?
Marina Gabriela Cunha– Sim, desde criança (em especial cães e gatos). Tive minha primeira cadela aos 10 anos. Atualmente tenho 5 cães que são: Jady (Pequinês 14 anos); Nick (Maltês 10 anos); Hugo (Labrador 6 anos); Chiquito (SRD não sei bem a idade pois recolhi na rua e acredito que tenha aproximadamente 2 anos); Stephanie ( SRD acredito ter aproximadamente 1 ano e meio, também recolhi na rua). Gosto também de gatos, são animais ainda muito discriminados, porém são dóceis, independentes e com um comportamento bem diferente dos cães. Eu nunca tive, mais meu irmão tem 9 e eu gosto muito de estar com eles.
Marcos -Já teve algum especial ou todos são?
Marina– Todos são. Mas não posso deixar de destacar o Nick (um amor tão grande que não consigo nem mensurar) e também a Luma que foi minha grande companheira, minha primeira cadela, que ganhei da minha mãe aos 10 anos no dia das crianças, uma Darshund linda e super inteligente que esteve ao meu lado por 18 anos e há 3 anos nos deixou.
Marcos -A escolha dos nomes sempre passa pela criatividade. Como foi no seu caso?
Marina– Sempre tive ajuda de familiares e também pesquisei em sites de nomes para cães.
Marcos -Qual o limite que não deve ser ultrapassado? (para que não haja confusão entre bichos e gente?)
Marina– Sempre tive dificuldade nessa questão, às vezes penso que até eles pensam que são gente devido ao tratamento que eu os dispenso. Eu não imponho muitos limites , sei que o cão vive em hierarquia e entre os meus, o Hugo é o líder, demorou para que o Nick entendesse isso e hoje não deixo os dois juntos mais para evitar brigas . O Nick e a Jady são de porte pequeno e ficam dentro de casa. Por ser extremamente ciumento e mimado ele não aceita outros cães chegarem perto de mim, com excessão da Jady. Pior ainda se eu pegar no colo. tendo ciúmes inclusive de bichos de pelúcia, algumas pessoas e crianças que se aproximam. A Jady por ser idosa, já não gosta tanto de brincadeiras, dorme bastante e se da muito bem com o Nick. Os demais ficam na área externa pois adoram correr, brincar, pular e fazer muita bagunça (impossível pensar em deixar o Hugo entrar em casa, ele destrói tudo). A Stephanie e o Chiquito viviam na rua então adoram se comportar como verdadeiros cachorros mesmo, durante os passeios querem cavar buracos, rolar na terra, etc. O Chiquito ainda sente falta da rua, quer andar livre sem coleira, e eu não deixo porque ele tem uma fratura mal curada no quadril e acredito que tenha sido atropelamento. A Stephanie adora passeios mais não quer saber de rua de jeito nenhum, posso deixar o portão aberto que ela não sai. Ambos são muito amorosos, me olham sempre com um olhar de gratidão. Os cinco são membros da família, fazem parte da minha casa e da minha vida. Outra questão, é que eu nunca soube lidar com a morte dos meus cães, perdi cinco de 3 anos pra cá e o sofrimento é algo que não sei descrever, a dor demora, mas passa. A saudade é pra vida toda.
Marcos -Você acha que os pets entendem o que falamos ou só entendem comandos?
Marina– Eles entendem o que falamos principalmente pela entonação da voz e linguagem corporal, são muito inteligentes. No caso dos meus, eles sabem perfeitamente o que vai acontecer até pela roupa que estou usando. Se estou de uniforme permanecem calmos, se coloco tênis ficam eufóricos pois sabem que vão passear. Não converso por comandos com eles, falo como se fosse com uma pessoa mesmo, embora o Hugo entenda alguns porque meu irmão ensinou .
Marcos -No universo de animais selvagens, qual o que mais te atrai?
Marina– O Lobo. Por ser muito parecido com o cão, inclusive possuindo a mesma genética.
Marcos -Que animal você jamais teria como pet, e por quê?
Marina– Animais silvestres, por não concordar com a ideia de viverem em cativeiro ou fora de seu habitat natural.
Marcos -Você acha que o respeito aos animais tem evoluído e pode fazer alguma comparação com o passado?
Marina– Evoluiu bastante, as pessoas nunca estiveram tão conscientes e atuantes na causa animal como agora e isso me deixa extremamente feliz. Temos ainda muito que melhorar. Vejo muitos casos de abandono, principalmente a animais idosos. Em pleno século XXI as pessoas ainda envenenam cães e gatos por pura maldade. Na minha época de criança era comum ver os meninos nas ruas com estilingue na mão para matar passarinhos, hoje não vejo mais isso graças a Deus. Assim como também houve a proibição de animais em circos, espero que aconteça a proibição dos animais em rodeios. O fim dos chicotes para corrigir os cavalos ainda que seja em poucas cidades já é uma evolução (torço muito para o fim das carroças). Cães presos em correntes ainda vejo, embora em numero menor. Animais silvestres presos em gaiolas, galos criados para rinhas ainda existem muito. Sonho em ver o fim dos canis clandestinos que mantém os animais de raça nas piores condições de sobrevivência, em gaiolas apertadas, no escuro, doentes tendo uma cria atrás da outra e são cruelmente descartadas quando a idade chega. Foi também uma grande evolução a proibição de mutilação de orelhas e rabos em cães. É necessário acabar de vez com os maus tratos, aplicar punições severas para aqueles que praticam esses atos. A lei existe, e no passado quem poderia imaginar uma lei em defesa aos animais ? Basta que seja cumprida rigorosamente. Nunca vi uma pessoa permanecer presa por maus tratos, e isso é uma grande falha da justiça. Por fim, ressalto a urgência de um hospital veterinário público para atender os animais de famílias mais carentes e vítimas de abandono.

Marcos– Um filme com animal.
Marina -Na verdade adoro dois. Marley e eu, pois me lembra muito as bagunças do Hugo e Sempre ao Seu Lado pelo amor e fidelidade de um cão ao seu dono.
Marcos – ma mensagem aos humanos em relação aos animais.
Marina– “A compaixão pelos animais está tão ligada com a bondade de caráter, que se pode afirmar que quem é cruel com os animais não pode ser bom” -Arthur Schopenhauer. Por isso, peço que tratem os animais com mais amor e respeito. Se não gosta, não tenha, mas também não maltrate, não use de violência, não envenene, não compre animais sem procedência por trás de lindos filhotes há seres sofrendo sem socorro algum, há tantos nas ruas a espera de um lar. Ao ver um animal atravessar a rua, diminua a velocidade, freie o carro, pois eles atravessam com a mesma inocência de uma criança. Se passar por um animal em sofrimento não finja que não é com você, de alguma forma tente amenizar. Pra finalizar, não permita e nunca seja conivente com maus tratos a nenhum tipo de animal.