Shows de animais marinhos serão proibidos nos EUA

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A partir de 2017 os shows de orcas, golfinhos e outras espécies marinhas serão ilegais na Califórnia. Os defensores dos direitos dos animais celebram, mas a decisão não foi tomada de um dia para outro e o processo não foi simples. Como em muitos casos, apenas após a morte de pessoas a opinião pública se posicionou sobre o tema.
O movimento começou logo após a estreia de Blackfish, documentário da CNN que mostrava a tortura a qual eram submetidos os animais no parque temático Sea World de Orlando. Ali descreviam como suas orcas eram exploradas até seu limite durante vários shows durante o dia e como eram acumuladas em tanques onde ficavam após as luzes do anfiteatro serem apagadas.
A estréia na TV foi um choque. Os ambientalistas e, sobretudo a PETA, se pronunciaram sobre o documentário, os meios de comunicação fizeram sua parte e as redes sociais terminaram de preparar o terreno para que a justiça e a política liquidassem o assunto. O governador Jerry Brown assinou um decreto em setembro desse ano que ordena que a partir de 1º de janeiro de 2017 não será possível reter ou adestrar baleias nem para reprodução, criação e menos ainda para o entretenimento humano.
Quem desencadeou tudo foi Tilikum, uma orca capturada na costa da Islândia há 23 anos. Ela primeiro foi atração em um parque aquático canadense e nove anos depois foi trasladada à sede do Sea World em Orlando, um mega complexo que além deste tem um parque em San Antonio, Texas e outro em San Diego, Califórnia. A orca esteve envolvida na morte de três pessoas, incluindo sua treinadora Dawn Brancheau, em 2010.
Tilikum pesa mais de cinco toneladas e é o maior mamífero em cativeiro do mundo. O que para o Sea World é um orgulho, para os conservacionistas é um espanto. Devido a sua pressão e a proibição na Califórnia, ao Sea World não restou outra solução a não ser revisar sua existência enquanto corporação.
Encurralada legalmente em um de seus parques e condenada socialmente em outros dois, a companhia tenta sobreviver tratando de reinventar-se em algo como um ecocentro marinho educativo. O parque acaba de apresentar seu novo programa para o próximo ano e agora oferecerá passeios de barco com óculos de realidade virtual e shows de fontes e luzes. Os visitantes somente verão as baleias vivendo em um entorno pseudo-natural e não mais malabarismos nem piruetas. Elas não irão trabalhar, mas o Sea World pensa em conservar suas onze orcas com a desculpa de que por serem criadas em cativeiro sua eventual liberação no mar aberto acarretaria mais perigos do que se deseja prevenir.

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