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O recente abate de vinte cervos que viviam no Pampas Safari, em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, reacendeu a discussão sobre a pertinência de manter animais em zoológicos. Os animais, incluindo quatro fêmeas prenhas, foram mortos após uma autorização para o sacrifício de 300 cervos com suspeita de tuberculose. De acordo com a Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí, que tem um plano de acompanhamento em relação à doença no parque, todos estavam saudáveis. Exames feitos nas carcaças dos animais sacrificados deram negativo para tuberculose, mas foram considerados inconclusivos. O Ibama e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) negam que tenham autorizado o procedimento e dizem ter sido apenas responsáveis por liberar o transporte dos animais já mortos. O Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar as irregularidades no parque, que está fechado para visitação desde o ano passado por não cumprir medidas impostas pelo Ibama. “O que não pode ocorrer é um abate indiscriminado de animais que estão saudáveis. Não parece ser o caso de um abate sanitário”, disse a promotora Carolina Barth, que investiga o parque.
A situação não é precária apenas no Rio Grande do Sul. O abandono e a negligência no cuidado com os animais ocorrem principalmente em zoológicos sob o poder público. Em 2016, o zoológico municipal do Rio de Janeiro foi interditado por não ter condições adequadas de manter os animais. Fotos dos bichos em estruturas mal conservadas viralizaram nas redes sociais. Após a interdição o local foi entregue à iniciativa privada. O zoológico de Salvador também precisou ser fechado para melhorar a infraestrutura. Neste ano, em Minas Gerais, o zoológico municipal de Montes Claros foi fechado por tempo indeterminado por irregularidades, como animais sendo alimentados de forma inadequada e espaços abandonados. O Ibama também chegou a suspender a visitação no zoológico de Sergipe porque o local não estava cumprindo as exigências do Instituto.
Os maus-tratos geraram protestos e boicotes aos zoológicos. Ambientalistas e protetores de animais entendem que os santuários são a solução para os animais silvestres que por algum motivo não podem ser reinseridos na natureza. A Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil rebate, alegando que a existência dos parques abertos à visitação é necessária por permitir a conservação da fauna, possibilitar a pesquisa e ter papel educativo. Seus representantes admitem ser preciso melhorar os zôos no Brasil a partir das instituições governamentais que mantêm tais espaços de forma a garantir que os bichos vivam nas melhores condições possíveis. Já os protetores da causa animal alegam que isso é impossível para os animais confinados.