“Fomos nós quem atravessamos o caminho deles”

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Dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), vinculado à Universidade Federal de Lavras (UFLA), MG, mostram que anualmente cerca de 450 milhões de animais selvagens são atropelados nas rodovias brasileiras. Isso representa a morte de 15 animais por segundo. Destes números, 90% são de animais de pequeno porte como sapos, cobras, ratos, pássaros (427 milhões), 9% são animais de médio porte como alguns macacos, gaviões, gambás, lebres (43 milhões) e 1% são os animais que mais visualizamos, como os tamanduás, capivaras, lobos guarás, felinos, antas, entre outros (aprox. 5 milhões).

Ciência cidadã
Visando entender esse problema, o CBEE idealizou um aplicativo que se utiliza da ciência cidadã (Citizen Science) para obter dados de todo o território brasileiro. O Sistema Urubu foi lançado em abril de 2014, e em pouco tempo se tornou a maior rede de conservação de biodiversidade do Brasil. Qualquer pessoa pode colaborar, bastando, para isso, baixar o aplicativo, cadastrar-se e cada vez que encontrar um animal atropelado tirar a foto usando o app e enviar para o Centro. As fotos chegam com a coordenada geográfica e são identificadas por especialistas, sendo então utilizadas para informar aos órgãos competentes e concessionárias de rodovia.

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Dia Nacional de Urubuzar
Em novembro de 2014 foi realizado um evento nacional, o Dia Nacional de Urubuzar, com o objetivo de atingir o maior número de pessoas da sociedade e informar sobre os efeitos de rodovias e ferrovias na biodiversidade. O Dia Nacional de Urubuzar (DNU) se caracteriza como uma ação descentralizada, onde qualquer grupo de pessoas pode se engajar na causa. Em 2014, participaram 122 grupos de diferentes segmentos: universidades, ONGs, zoológicos, associações, concessionárias de rodovias, polícia, entre outros, o que significou mais de 40 mil pessoas sensibilizadas.

Urubu móbile
Em 2016, aconteceu a segunda edição do evento, divulgado na coluna Amigo Animal em seu formato da época, contando dessa vez com mais de 200 parceiros em todo o Brasil, e envolveu mais de 1000 pessoas na sua organização. O objetivo sempre é informar as pessoas sobre a grande perda da biodiversidade em função dos atropelamentos e divulgar que elas podem colaborar na redução deste impacto com atitudes simples quando estão dirigindo e ser um pesquisador cidadão utilizando o app Urubu Mobile.

No caminho deles
Neste ano, a campanha denominada “Fomos nós quem atravessamos o caminho deles”, concebida e liderada pela professora e coordenada Dra. Ana Elizabeth Iannini Custódio e por alunos e ex-alunos do curso de Biologia, aconteceu no último domingo, dia 10, e teve a participação de cerca de 40 alunos voluntários. O evento teve o apoio da PROEX-UFU (Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Uberlândia) e ocorreu na rede de postos Décio, situados nas rodovias do entorno de Uberlândia (BR-050 e BR-365) e contou também com o apoio da Polícia Rodoviária Federal. Na ocasião, alunos da Universidade Federal de Uberlândia abordaram motoristas e usuários das rodovias com a finalidade da conscientização da sociedade sobre essa importante questão. Foram distribuías cartilhas educativas, explicando a utilização do aplicativo Urubu Mobile e distribuindo adesivos alusivos à causa.

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