Larvas no cão? Como assim?

 

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Muitas vezes ouvimos falar de larvas em cães. Quantas histórias de resgate de cães “sendo comidos” por larvas escutamos? Quando a situação está grave, é porque o animal, normalmente está abandonado, sem cuidados, etc. Sobre esse problema que afeta tantos cães, fomos conversar com o veterinário Guilherme Borges de Moraes.

“Trata-se de uma doença muito dolorosa que acomete animais de todas as idades e que se apresenta com certa frequência na rotina de uma clínica veterinária. A miíase é basicamente a infestação de larvas de moscas que se nutrem de tecidos,vivos ou mortos, de cachorros.
Há duas formas de ocorrer a infestação. A primeira é quando a mosca,geralmente da família Calliphoridae,deposita seus ovos na superfície de um tecido saudável do animal e as larvas ao eclodirem invadem a pele e passam a se alimentar dos tecidos do animal(conhecido como berne) . A segunda se dá pelo depósito dos ovos em uma ferida já existente e as larvas passam a se alimentar do tecido já necrosado(bicheira). Além dessas infestações cutâneas ( na pele), há também as infestações cavitárias que acontecem quando os ovos são depositados na boca,ouvido, nariz e olhos e há ainda infestações intestinais, que se dão pela ingestão de alimentos contaminados com larvas ou ovos da mosca. No caso de uma ferida preexistente, a presença das larvas impede a cicatrização e aumenta a ferida.
O animal acometido de qualquer dessas infestações apresenta incômodo constante na região afetada sentindo dor ao toque e coceira. A ferida na pele fica evidente pela presença de inflamação e às vezes odor fétido. É comum notar a presença de inchaço no local,perda de peso do animal,falta de apetite e claudicação no caso do acometimento dos membros ou patas.
O diagnóstico é feito visualmente, já que as larvas podem ser vistas de forma macroscópica na região da ferida. O procedimento de rotina se dá pela retirada de modo manual com o auxílio de uma pinça sendo necessário em alguns casos o uso de sedativos, poisa o procedimento de retirada dos parasitas, provoca muita dor ao paciente. O uso de drogas também pode ser aconselhado dependendo da gravidade do caso.
O local da ferida, infestado por larvas, deve ser higienizado após a retirada dos vermes.É comum, também, a necessidade de aplicação de antibióticos no local ou mesmo aqueles de uso sistêmicos, já que a ferida pode ocasionar uma porta de entrada para infecções bacterianas representando,assim, um problema secundário.
Para evitar esta situação que causa muito prejuízo ao bem estar do cão, deve-se atentar para alguns cuidados básicos como: observar, regularmente, se há presença de feridas no animal, manter o ambiente limpo, sem lixo, sem umidade e livre de materiais orgânicos em decomposição como fezes e restos de comida. Pois estes fatores favorecem o aparecimento das moscas bem como proliferação de bactérias patológicas. Também é eficaz,na prevenção, o uso de sprays e coleiras antimoscas.

Ao perceber algum dos sintomas, acima citados, procure um médico veterinário para a realização de um exame e direcionamento para um tratamento adequado.”

 

Guilherme Borges de Moraes
CRV nº19.260

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