
O que foi postado nas redes sociais (visto e comentado por pessoas de Uberaba-MG, já que o fato aconteceu na cidade em questão) e que ganhou destaque entre tantos posts pedindo socorro, foi o que mostrou uma égua machucada, sofrida, vítima de maus tratos por seu dono que, imagino eu, num acesso de cólera ainda desferiu várias facadas no animal. Crueldade? Claro. Nem a situação precária deste indivíduo, que vive de transportar qualquer coisa no lombo de um velho e doente animal de tração para ter um prato de qualquer coisa pra comer, justifica tal crueldade. Ambos vítimas de uma situação que não se sabe onde começou e nem quando vai acabar. Só existe. AINDA! Esse é o fato lamentável. Especulações, opiniões e desabafos relacionados ao caso da pobre égua não param de aparecer. Realmente é de cortar o coração. Surgem então, no meio desse cenário de sofrimento, acusações, dedos apontados se cruzando nas telas dos comutadores ou celulares. Precisamos fazer alguma coisa! Quem deve fazer? Aí também vem à tona o que de fato nunca deixou de transbordar, que é a situação de todos os animais abandonados na cidade. Falta dinheiro, falta lares temporários, falta comida, remédio e principalmente consciência. Essa é a que mais falta. Falta individualmente, falta a quem deveria politicamente fazer alguma coisa. Assim são as acusações. Eu não sei. O que sei é que, como comunicador tenho encontrado pessoas cansadas da luta pela causa animal. E aí vai minha provocação. Realmente é muito difícil porque nesse trabalho, ou tentativa de trabalho, ou simplesmente (e muito mais valioso) a “mão na massa” no socorro aos pobres e indefesos animais, há também muita mentira. Muitas pessoas apresentam-se condoídas com a situação e cheias de ideias para fazer e acontecer. Mas quando colocadas à prova… Há algum tempo escolhi me dedicar à comunicação nesse setor, o terceiro (?). Acho que no caso de animais, verdadeiramente, o quinto… Esse é o trabalho que por enquanto posso fazer. Mas esse trabalho só pode ser feito se tiver conteúdo. “Ah, não tenho tempo”, “não vou falar”, e a pior das situações: a falta de uma resposta à oferta de espaço para se falar alguma coisa. Profissionais mudos, empresários sem visão. A assinatura de um profissional avaliza uma matéria, chancela um artigo, divulga um trabalho, uma ideia, uma clínica, um apoio à causa… Para resumir. Enfim, não basta ter dó da égua (que já foi socorrida, graças a Deus e à atitude de algumas pessoas), tem que sair da inércia, da zona de conforto, aproveitar o tempo realmente. Botar a boca no trombone. Quem quer realmente mudanças? É isto…e muito mais.