
Quando o assunto é a nossa saúde, a orientação é bastante conhecida: todos devemos ir ao médico ao menos uma vez por ano para fazer alguns exames e passar por um check-up. Mas você sabia que a recomendação é a mesma para os nossos filhos de quatro patas e eles necessitam de exames veterinários?
Cães e gatos não devem ir ao médico-veterinário só quando estão doentes. Da mesma forma que acontece na medicina humana, exames regulares ajudam a prevenir doenças ou permitem que se faça um diagnóstico precoce dos problemas de saúde dos animais, o que facilita o tratamento e aumenta a chance de cura.
Na verdade, considerando que são pacientes que não falam, os exames ganham uma importância ainda maior, porque os primeiros sinais clínicos das doenças podem não ser percebidos pelos tutores, fazendo com que o diagnóstico só seja feito quando o problema alcança um estágio avançado.
Ficou curioso para saber quais são os principais exames veterinários e o que eles podem dizer sobre a saúde do seu pet? Vamos lá.
Hemograma
Para que serve: indicar processos inflamatórios e infecciosos, anemias, presença de hemoparasitas, além de evidenciar alterações plaquetárias e sugerir problemas de medula óssea (de produção de células sanguíneas).
Como é feito: por meio de amostra de sangue venoso, geralmente coletado das veias jugular (no pescoço), cefálicas (na pata da frente) ou safena (na pata de trás); o ideal é que seja feito jejum prévio de 8 a 12 horas.
Exame de urina
Para que serve: auxiliar no diagnóstico de diabetes e de outras doenças endócrinas, indicar a presença de infecção urinária, além de fornecer informações importantes em relação ao funcionamento do rim do animal.
Como é feito: a urina é coletada por meio da sondagem uretral ou, mais comumente, por meio da cistocentese (aquele procedimento no qual a urina é retirada diretamente da bexiga, com auxílio de seringa e agulha, que entra pela barriguinha do pet); o ideal é que o animal não tenha feito xixi pouco antes do exame.
Exame coproparasitológico (exame de fezes)
Para que serve: indicar a presença de vermes e protozoários causadores de doenças intestinais, como giardíase e isosporose.
Como é feito: por meio da coleta de fezes; geralmente, são solicitadas amostras de diferentes dias para um diagnóstico mais preciso.
Função renal
Para que serve: auxiliar na identificação de qualquer alteração na função dos rins.
Como é feito: por meio da análise sanguínea são aferidos os níveis de ureia e de creatinina, dois importantes marcadores da função renal (essas substâncias devem ser excretadas pela urina e, por isso, aumentam no sangue quando há alguma alteração).
Função hepática
Para que serve: diagnosticar alterações e possíveis doenças no fígado.
Como é feito: por meio da análise da amostra de sangue são avaliadas as concentrações de substâncias ligadas à função do fígado, como albumina (produzida pelo órgão) ou enzimas que devem ficar dentro das células hepáticas e que só aumentam no sangue quando elas estão lesionadas e começam a morrer.
Glicemia de jejum
Para que serve: indicar os níveis de glicose no sangue, contribuindo para o diagnóstico precoce dos quadros de diabetes.
Como é feito: com o pet em jejum alimentar de 12 horas, é coletada uma amostra de sangue para análise.
Ultrassonografia abdominal
Para que serve: como exame de rotina, serve principalmente para investigar alterações nos órgãos e glândulas abdominais, como pâncreas, fígado, rins, bexiga, adrenais e intestino; essas alterações podem ser de várias origens, como neoplásica (câncer), inflamatória, infecciosa etc.
Como é feito: pouco invasivo, o exame só precisa que o pet esteja com a região do abdômen tosada, o que é feito na hora; o animal é colocado de barriga para cima, e o veterinário aplicará um gel no abdômen do paciente, sobre o qual deslizará o transdutor, que captará as imagens .
Eletrocardiograma
Para que serve: avaliar a condução elétrica do coração, apontando a possível presença de arritmias e sugerindo alterações morfológicas de câmaras cardíacas, cujo diagnóstico deve ser firmado pelo ecocardiograma.
Como é feito: o animal é deitado de lado na mesa de exame e contido dessa forma; o médico-veterinário fixa eletrodos ao corpo dele, que captarão a condução elétrica do coração; não é preciso preparo, e o animal não leva choque.
Exame sorológico para FIV e FeLV
Para que serve: diagnosticar a AIDS (FIV) e a leucemia (FeLV) felinas.
Como é feito: a amostra de sangue do gato é submetida à busca de antígenos da doença (partes dos vírus) ou anticorpo (reação do organismo a ela).
Esses são exames bastante básicos, mas, além deles, o médico-veterinário pode lançar mão de vários outros, de acordo com a faixa etária, a raça e o histórico do pet.
No caso de cães e gatos idosos, por exemplo, é comum a aferição dos níveis de colesterol e triglicérides, além da realização de radiografia de tórax e do SDMA, um biomarcador que indica alterações na função renal com até dois anos de antecedência em relação ao momento de elevação da ureia e da creatinina.
A importância do histórico do pet
Antes de pedir os exames veterinários, no entanto, o especialista sempre tentará se inteirar do histórico da saúde do pet. “Quando já se tem conhecimento de doenças prévias e dos resultados de exames feitos em momentos anteriores, se pode solicitar testes mais específicos e direcionar mais rapidamente uma investigação”, explica renomada médica veterinária.
A especialista ressalta que a raça é outro fator que pode levar o veterinário a solicitar determinados exames. Ela cita, por exemplo, os cães da raça schnauzer miniatura, que têm predisposição à hiperlipidemia primária (altos níveis de gordura no sangue) e, por isso, devem ter colesterol e de triglicérides aferidos mais precocemente.
“Já em gatos, para citarmos outro exemplo, podemos indicar um teste genético para diagnóstico de doença do rim policístico em persas e mestiços dessa raça a partir dos 2 meses de vida”, completa a doutora.