
“Pois é, falaram tanto…”. O começo desse texto parece mesmo letra de música. Quem não conhece “Pois é”, música de Ataulfo Alves? Só que ele dizia em verso que dessa vez “a morena foi embora”. A morena do Ataulfo poderia até resolver voltar um dia, mas aqui estou falando de outra coisa que foi embora e não volta mais: o clima com suas 4 estações definidas e normais. Acabou. De quem é a culpa do fim desse relacionamento da natureza com a humanidade? Da humanidade, claro. Nem precisa escutar o outro lado. Até porque a natureza não fala, ela mostra. E tem gente que finge não acreditar. Inocentes pagando pelos pecadores é o que temos pra hoje.
Minha avó dizia…
Lembro que quando eu era menino (já faz muuuuuito tempo), minha avó falava que o mundo tinha acabado uma vez em água, se referindo ao dilúvio. E a gente cresceu ouvindo a passagem bíblica da Arca de Noé, contada por ela. Mas no final ela dizia que da próxima vez que o mundo acabasse, seria em fogo. Estou concluindo, depois de velho, que ela tinha razão. O mundo está pegando fogo. Há notícias de incêndios por toda parte do planeta. E a propósito do tema da coluna, como estão os animais nessas catástrofes?
Na Grécia
Cerca de trinta voluntários em Atenas se mobilizaram para curar dezenas de gatos e cães abandonados ou esquecidos por pessoas que tiveram que sair de suas casas por causa dos incêndios. Os animais resgatados são banhados a cada duas ou três horas para resfriar as patas —exceto aqueles com queimaduras graves. Veterinários voluntários organizaram um espaço de “tratamento intensivo” para os gravemente queimados, cujas feridas precisam de monitoramento contínuo.

No Parque do Juquery
Onça-parda, lobo-guará, tatu canastra, tamanduá-mirim, capivara, cachorro do mato, jararaca, cobra coral, tucano, seriema, veado-campeiro e jaguatirica são apenas algumas das espécies de animais que habitam o Parque Estadual do Juquery, que fica nos municípios de Franco da Rocha e Caieiras, na Grande São Paulo e que também sofreu incêndio há pouco dias.
Não há informações sobre mortes de animais, mas ao menos três deles foram resgatados: uma preá, uma cobra e um ouriço. O Incêndio pode ter sido causado pela queda de um balão em cerrado que fica em Franco da Rocha e Caieiras, na região metropolitana de São Paulo. Essas pessoa foram presas e soltas ao pagarem fiança de três mil reais. E quanto custa os 80% do parque que foram destruídos pelo fogo. A meu ver, para quem soltar balão nessa época do ano no Brasil, a pena deveria ser muito maior.

No Afeganistão
Se não bastasse o fogo que queima o planeta, os acontecimentos vão além e deixam o mundo perplexo com tanta barbaridade. É o caso do Afeganistão. E mais uma vez, pelo propósito da coluna, precisamos ter e dar notícia dos animais.
Duas organizações não-governamentais de Cabul tentam levantar dinheiro e encontrar uma maneira de retirar centenas de gatos e cachorros do país até o dia 31 de agosto, data limite estabelecida pelo Talibã para a retirada dos soldados dos Estados Unidos e outros países que formaram uma coalizão militar que esteve no país durante 20 anos.
A ONG, a Kabul Small Animal Rescue, tenta juntar US$ 1,5 milhão para tirar seus funcionários e cerca de 200 cães e gatos do Afeganistão, de acordo com um texto da National Public Radio, dos Estados Unidos.

O ministro britânico da Defesa, Ben Wallace, anunciou nesta quarta-feira (25) que vai autorizar a retirada de cães e gatos de um abrigo na região de Cabul. Um ex-fuzileiro naval que está organizando o resgate alugou um avião para levar a equipe afegã e os animais para um local seguro.
“Se você chegar com esses animais, procuraremos um horário para seu avião”, tuitou Wallace sobre Paul Farthing, um ex-soldado que abriu um abrigo de animais em Cabul e quer evacuar cerca de 140 cães e 60 gatos, assim como seus funcionários afegãos e famílias.
Enfim…
Então, o mundo parece estar mesmo em ebulição, porque certamente o planeta está mais quente. Mas, felizmente, há quem se preocupe com os animais mundo afora. Desde o resgate das grandes queimadas até às situações extremas, como no caso do Afeganistão, eles, os animais, são socorridos por organizações de proteção animal. Que assim seja sempre.