
Extrair nem sempre é a única solução. Veterinário explica o procedimento
Quando se fala em saúde bucal dos pets, muitos tutores pensam apenas no mau hálito ou no acúmulo de tártaro. No entanto, problemas dentários em cães e gatos podem ir muito além, exigindo até mesmo tratamentos complexos, como o canal. Apesar de muitos tutores ainda terem dúvidas sobre o método, ele pode se tornar essencial para aliviar dores e preservar a qualidade de vida dos animais. A seguir, Daniel Furuya, veterinário especializado em odontologia do Nouvet, centro veterinário hospitalar em São Paulo, comenta cinco fatos que todo tutor deveria conhecer sobre o assunto:
- Nem todo dente danificado precisa ser extraído
Muitos tutores acreditam que a extração é a única solução para um dente fraturado ou infectado, mas nem sempre é o caso. “O tratamento de canal permite preservar a estrutura dentária, mantendo a função mastigatória e evitando desgastes na arcada dentária que podem ocorrer após uma extração”, explica Furuya. O procedimento remove a polpa inflamada ou necrosada, desinfeta o canal e o sela, permitindo que o dente continue no lugar sem causar desconforto. - Sinais de dor nem sempre são óbvios
Outro fato pouco conhecido é que os pets podem sofrer em silêncio. Diferentemente dos humanos, eles nem sempre demonstram dor de forma clara. Os sinais podem ser sutis: diminuição do apetite, mastigar apenas de um lado, rosto inchado ou até mesmo mudanças de comportamento, como irritabilidade ou apatia. “Muitos animais chegam ao consultório com abscessos avançados porque o tutor não percebeu os sinais iniciais. O tratamento de canal pode resolver o problema antes que a extração se torne inevitável”, alerta o veterinário. - A tecnologia tornou o procedimento mais seguro e preciso
A odontologia veterinária avançou muito nos últimos anos, e hoje o tratamento de canal em pets é realizado com equipamentos de alta precisão, como raio-X digital e instrumentos endodônticos específicos. “Antes, muitos casos eram subdiagnosticados porque não existiam equipamentos que permitissem acesso a imagens detalhadas. Hoje, podemos avaliar cada raiz e canal com muito mais eficiência, garantindo um tratamento completo e minimamente invasivo”, comenta o especialista. Além disso, a anestesia segura e o monitoramento constante possibilitam que o pet não sinta dor durante o procedimento. - O pós-operatório é simples, mas exige cuidados
Após o tratamento de canal, o pet pode retomar suas atividades normais em pouco tempo, mas alguns cuidados são necessários nos primeiros dias. “Recomendamos alimentos mais macios e a suspensão de brinquedos muito duros por um período, para evitar fraturas no dente tratado”, orienta. Em alguns casos, uma coroa protética pode ser colocada para reforçar a estrutura, especialmente em cães de grande porte ou pets mais ativos. - Prevenção é a chave para evitar problemas graves
Embora o tratamento de canal seja uma solução eficaz, a melhor estratégia ainda é a prevenção. Escovação regular, check-ups odontológicos e brinquedos apropriados ajudam a manter os dentes saudáveis. “Muitos casos que exigem canal poderiam ser evitados com cuidados básicos desde cedo. A saúde bucal não é apenas sobre dentes bonitos, mas sobre qualidade de vida”, reforça o veterinário.