
Por Tobias Ferraz para a coluna Cheiro Verde e o Moreno Pet Blog

O noticiário desta semana trouxe, entre outros escândalos, a informação sobre “a maior operação contra o tráfico de animais silvestres no Brasil”. Foram cumpridos 275 mandados de busca e apreensão, 47 pessoas foram presas e mais de 700 bichos foram “apreendidos”. Quando a gente puxa os números anuais ou nacionais, o espanto é maior ainda. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS), cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza todos os anos no Brasil. É a terceira maior atividade ilegal do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas.”
Agora, o nosso roteiro exige um corte. Vamos saltar da preocupante página de notícia para a tranquilidade da zona rural. Imagine-se em um caminho todo arborizado, com uma leve brisa, um cheirinho de flor no ar e passarinhos cantando.
Para os adeptos das caminhadas, pedaladas ou trilhas, a iniciativa vai muito além da mera atividade física. Geralmente, com o tempo, a pessoa passa, naturalmente e instintivamente, a ser também um observador. Aos poucos, por ação da curiosidade e do diálogo com os mais experientes, a gente vai aprendendo o nome das árvores, dos passarinhos, das aves, das plantas. Num estágio mais avançado, passa também a identificar o canto dos passarinhos, o pio das aves, as pegadas dos bichos no areião da trilha.
Avistar animais silvestres durante a caminhada é um presente, um encantamento, um momento mágico. Posso assegurar por experiência própria. Já vi o tamanduá bandeira, o lobo guará, o cervo pantaneiro, o gigante tuiuiú todos livres no seu ambiente natural. Imagens vivas na memória até mesmo depois de muitos anos do acontecido. Já testemunhei relatos de pessoas, com os olhos brilhantes ou marejados de emoção ao relatar o avistamento de onça, de sussuarana, de um uirapuru. São momentos guardados no coração da memória.
Neste ano, me aproximei dos Observadores de Aves. Recentemente fiz a minha primeira “passarinhada”, que é como os observadores se referem aos encontros para observar, identificar e fotografar aves e passarinhos.
Nesta minha primeira vivência, num parque urbano, o grupo identificou 48 espécies de aves, até um saruê, conhecido também como orelha preta ou raposinha, desfilou diante das câmeras, para deleite do grupo.
A experiência da passarinhada reforça o quanto a proximidade com o mundo natural traz bem-estar e muita paz interior. Este sentimento fundamenta a necessidade de deixarmos os animais silvestres em paz, livres onde eles quiserem estar, sem serem perturbados.
Infelizmente, ainda vemos na zona rural, gaiolas com passarinhos presos. Em alguns casos vemos, acoplado à gaiola, um alçapão para capturar um passarinho da vida livre. Enquanto houver a fabricação e comércio de gaiolas e armadilhas é um sinal de que os bichos correm grande risco.
Compre mudas de árvores frutíferas, plante árvores que os passarinhos irão pousar nos seus ramos e alegrar os seus olhos e ouvidos.
Bicho feliz é bicho solto!
Um abraço frondoso pra todo mundo.