
Mais uma vez contamos com brilhante texto assinado pelo jornalista Tobiaz Ferraz para a coluna Cheiro Verde, com permissão para publicação no blog. Nesse caso, um texto poético para expressar de forma contundente os horrores sofrido pela natureza. O blog agradece pela belíssima contribuição.
Por Tobias Ferraz
Foi dado um sinal de alerta na comunidade das capivaras da Represa. O requerimento enviado para o Saci, um dos protetores da Natureza e amigo de toda a vida silvestre, em um dos trechos trazia a seguinte afirmação: “…o adensamento urbano, aliado à presença de corpos d’água e áreas verdes, favoreceu a fixação de uma numerosa população de humanos no entorno da represa…”
Quando o Saci leu esta informação, ele pousou os óculos em cima do cupinzeiro, usado como mesa de escritório, olhou para o bambuzal,viu as hastes que bailavam de um lado para outro com a leve brisa que soprava naquele final de tarde, virou os olhos para o outro lado, viu aquele pôr do sol do Cerrado pintando o céu de vermelho pensou: “As capivaras existem há cerca de oito milhões de anos, estão por aqui, na região da represa, há milhares de anos . Elas comem capim, e por isso controlam a vegetação rasteira evitando incêndio, são dispersoras de sementes para a formação da mata ciliar e a presença delas é um indicador de saúde e equilíbrio de um habitat”. Ou seja, concluiu o Saci, “uma ameaça às capivaras é sinal de grande agressão à Natureza”.
Diante da gravidade do caso, o Saci convocou, com urgência, a convenção dos bichos. Chamou a Maritaca, o Carcará, o Macaco, e o Lobo-guará e pediu para eles espalharem a notícia para toda a floresta.
Não demorou muito e a bicharada toda foi chegando. As capivaras, em fila capivariana, foram as primeiras. Não demorou muito, ainda com restinho de luz do sol, começou a reunião. A Mãe-capi foi a primeira a falar. Disse que os humanos derrubaram as árvores centenárias que viviam nas margens da represa, que os humanos jogam esgoto e lixo dos condomínios na represa, e denunciou a contaminação da água pelo veneno usado na agricultura.
Outros bichos pediram a palavra e trouxeram outras denúncias como aprisionamento e morte por caçadores, maus tratos, invasão de propriedade e muitos outros casos de agressão ao mundo animal e à Natureza.
Depois de ouvir todos os relatos, com a Lua cheia clareando a Clareira Silvestre, um tipo de Congresso Nacional do bichos, o Saci se levantou das costas do Jabuti, olhou longamente ao redor, bem no fundo dos olhos dos bichos, viu o desespero expresso em cada olhar e sentenciou: “É urgente barrar o avanço dos humanos!”
Um abraço frondoso pra todo mundo!