
Escolhas e atitudes moldam o futuro
Por Tobias Ferraz

No dia 10 de novembro, começa a COP 30, a Conferência das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas, em Belém, no Pará. Daqui pra frente, o noticiário trará notícias sobre o Meio Ambiente e sobre a Conferência com maior intensidade.
Nesta semana surgiram alguns fatos preocupantes. O Ibama deu licença para a Petrobrás começar a pesquisa sobre petróleo na região onde o rio Amazonas deságua no mar. O maior rio do mundo despeja as suas águas na região da Ilha de Marajó, no Pará. Um volume impressionante de água doce é despejado a cada segundo no Oceano Atlântico, isso sozinho, já é um fato extraordinário. O encontro do Rio Amazonas com o oceano é um fenômeno por causa da pororoca, uma grande onda que avança contra a correnteza do rio devido à força das marés. Esse evento, especialmente forte nas marés de lua nova e lua cheia, ocorre quando o mar supera a força do rio, invertendo o fluxo por quilômetros rio adentro e sendo um espetáculo visível, até mesmo do espaço. A ação, por milhares de séculos, nesse vai e vem das águas, trouxe para a região uma combinação única de seres vivos que adaptaram suas vidas banhadas por água doce e salgada. Por isso toda a Foz do Amazonas é considerada muito sensível, caso haja um vazamento de óleo ou alguma intervenção humana relevante.
Outro estudo divulgado nesta semana chama a atenção para o desmatamento no estado de Rondônia. A equipe do Infoamazonia, um jornal que trabalha com dados e geojornalismo, mostra que o estado só tem florestas em Terras Indígenas e em Unidades de Conservação, por isso a grilagem avança sobre essas terras. Atualmente, mais de 40% da vegetação nativa do estado foram transformadas em pasto e soja.
Ainda nesta semana, a pesquisadora Sônia Hess, do estado de Santa Catarina, divulgou um vídeo nas redes digitais alertando sobre o alto risco dos agrotóxicos banidos em muitos países e usados legal e fartamente no Brasil. A Dra. Sônia é curta e direta: “O Brasil é uma lixeira química.”
Fiz questão de trazer os relatos acima para refletir sobre as nossas escolhas, sobre a maneira que decidimos viver e as suas implicações para as outras formas de vida no Planeta. Não se trata de escolher um lado, de torcer, de ser contra ou a favor de algo. Trata-se agora, de entender que a espécie humana faz parte da Natureza e que não temos o direito de submeter as suas criaturas e os seus elementos aos nossos caprichos ou para satisfazer a nossa ganância.
Atualmente temos muita informação sobre as consequências negativas, devastadoras e em alguns casos irreversíveis, das ações humanas. Houve um tempo que determinada espécie de animal beirou a extinção para ser transformada em casacos de luxo para uma suposta elite.
A COP 30 vai discutir medidas para reduzir os efeitos da mudança do clima no Planeta, mas o ponto de virada, para um mundo com mais equilíbrio, está dentro de cada um de nós. É só entender que todos os seres vivos têm o mesmo direito à vida. As florestas são o principal fator de harmonia e de segurança para a continuidade da vida no Planeta.
Um outro mundo é possível!
Um abraço frondoso pra todo mundo.