Nayane Xavier da Silva

Maio Amarelo Pet: mês de Prevenção de Doenças Renais em Cães e Gatos

As doenças renais em cães e gatos representam um dos principais desafios da medicina veterinária, especialmente por seu caráter silencioso e progressivo. Muitas vezes diagnosticadas em estágios avançados, essas enfermidades exigem atenção constante dos tutores e acompanhamento veterinário regular. No contexto do Maio Amarelo Pet, a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado torna-se fundamental para garantir mais qualidade de vida aos animais.
A médica-veterinária, aprimoranda em Clínica Médica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário da Uniube (HVU), Nayane Xavier da Silva, compartilha orientações e reflexões sobre a campanha, destacando a importância da conscientização para a prevenção das doenças renais, do diagnóstico precoce e do acompanhamento veterinário regular, fundamentais para garantir mais qualidade de vida aos animais.

Por Carlonina Oliveira

“O envelhecimento natural leva à degeneração dos tecidos, favorecendo a Doença Renal Crônica”

O que são as doenças renais em cães e gatos e por que elas são consideradas silenciosas?
Nayane Xavier: A doença renal caracteriza-se pela perda progressiva e irreversível das funções dos néfrons, unidades funcionais dos rins responsáveis pela filtragem de toxinas, equilíbrio eletrolítico e regulação da pressão arterial. Elas são consideradas silenciosas porque os rins possuem alta capacidade de compensação. Clinicamente, os sintomas costumam se manifestar apenas quando cerca de 75% da função renal já está comprometida, tornando o diagnóstico precoce um desafio.

Quais são os principais sinais de alerta que os tutores devem observar no dia a dia?
Nayane Xavier: Embora sutis no início, os tutores devem estar atentos a alterações comportamentais e fisiológicas, como: Poliúria e polidipsia: o pet passa a urinar mais e a ingerir maior quantidade de água, como forma de compensar a incapacidade dos rins de concentrar a urina.

Hiporexia: perda parcial ou total do apetite.

Hálito urêmico: odor forte na cavidade oral, semelhante à amônia, devido ao acúmulo de ureia no sangue.

Vômitos e perda de peso: decorrentes da gastrite urêmica e do catabolismo muscular.

Letargia: prostração associada à anemia secundária, causada pela redução da produção de eritropoietina pelos rins.

Quais fatores aumentam o risco de doenças renais nos pets?
Nayane Xavier: O desenvolvimento da patologia é multifatorial. Entre os principais fatores de risco, destacam-se: Idade avançada: o envelhecimento natural leva à degeneração dos tecidos, favorecendo a Doença Renal Crônica. Alimentação inadequada: dietas com desequilíbrio de fósforo e sódio podem sobrecarregar a filtração glomerular. Predisposição genética: raças como Persa (em gatos) e Cocker Spaniel ou Beagle (em cães) apresentam maior incidência. Doenças infecciosas: enfermidades como leptospirose e leishmaniose podem causar lesões renais severas.

Como funciona a prevenção e com que frequência os exames devem ser realizados?
Nayane Xavier: A prevenção baseia-se no monitoramento contínuo e na manutenção de adequada hidratação. Recomenda-se check-up preventivo anual para animais jovens e semestral para idosos. Os exames essenciais incluem dosagem de creatinina, ureia e o biomarcador SDMA — que permite detectar a perda de função renal em estágios iniciais, além de urinálise e ultrassonografia abdominal para avaliação da estrutura renal.

A doença renal tem tratamento? Como é o manejo após o diagnóstico?
Nayane Xavier: Embora a Doença Renal Crônica não tenha cura, é uma condição passível de manejo. O objetivo do tratamento é retardar a progressão da doença e proporcionar qualidade de vida ao paciente. Entre as principais abordagens, destacam-se:

Manejo dietético: utilização de dietas específicas, com baixos níveis de fósforo e proteínas de alta digestibilidade.

Hidratação intensiva: estímulo ao consumo hídrico ou fluidoterapia, auxiliando na eliminação de toxinas.

Controle de comorbidades: uso de medicamentos para controle da pressão arterial e outras condições associadas.

Qual a importância de campanhas como o Maio Amarelo Pet para a conscientização dos tutores?
Nayane Xavier: Campanhas como o Maio Amarelo Pet são fundamentais para romper o caráter silencioso da doença. Elas orientam os tutores sobre a importância do diagnóstico preventivo, possibilitando intervenções nos estágios iniciais (1 e 2, segundo a IRIS — International Renal Interest Society). Quanto mais precoce for a identificação, maiores são as chances de prolongar a vida do animal com qualidade, evitando complicações e sofrimento.

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