
O que diria Carlos Drumond de Andrade? Foi ele quem disse que” Minas são muitas”. Hoje certamente chorasse ao ver essas “minas” se rompendo, destruindo, matando. Sim, Minas são muitas…exploradas naturalmente, tendo extraídos de seus interiores, minerais tão preciosos e necessários para o desenvolvimento do próprio ser humano, da civilização, do crescimento. Minas que deixam seus arredores com jeito de sujeira, monocromáticos lugares. Mas que geram empregos, que são essenciais nas engrenagens de tudo. Minas são muitas, muitos empregos, muita inspiração para um grande poeta das Minas. Minas são Gerais. Minas se oferecem para dar aos homens o que eles precisam. Minas querem contribuir com a vida, com o mundo. Mas as Minas, que tão Gerais, não querem que tirem delas mais do que oferecem. Minas, que tão Gerais, entendem a palavra “exploração” de outro modo. Minas, que tão Gerais, aceitam serem exploradas mas não violentadas. Minas, que tão Gerais não querem mais. Não querem mais sacrifícios. Mortes pela ganância, pela falta de respeito à segurança de quem delas vive. Pelo pouco caso, na verdade caso algum, com seus bichos, com com seus habitantes que também se prestam à vida. Ao leite, ao arado, à polinização, à pesca. Ah Minas! Como te esquecer se José Duduca Morais te transformou em hino? Minas que tem Brumadinho. Minas que tem Inhotin. Minas que teve Aleijadinho. Minas, que tão Gerais…Minas que tem um belo horizonte, moldado pelas montanhas de Minas, tão Gerais. Minas que tem ocê, uai, sô. Minas que tão Gerais…
O mundo chora por Minas, por Brumadinho que enterrou seus mortos ainda vivos…e que, entre preciosas vidas humanas, também sepultou seus animais, aos quais, pela proposta do blog, prestamos nossa homenagem com esse texto e imagem- a mais forte referência à vida animal – nesse lamentável acontecimento. Parabéns ao fotógrafo (ainda anônimo) que mostrou ao mundo um instante mágico da vida dessas Minas, tão Gerias…