Policiais bom pra cachorro!

Hoje, dia 21 de abril, é celebrado Dia do Policial Civil e Militar. Pensando nisso, preparamos um material super especial sobre os cães de autarquia, que desempenham um papel importante na polícia para a segurança da população.

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Os cães têm, naturalmente, uma sensibilidade olfativa muito maior que a dos humanos. São 80-220 milhões células olfativas, contra 2-10 milhões células nos humanos, uma grande vantagem na hora de buscar entorpecentes e pessoas desaparecidas, o que é o caso dos cães farejadores. Além deles, também existem os cães de patrulha. Ágeis, espertos e fortes, são estratégicos no trabalho de captura e imobilização. Não à toa, eles conquistaram um espaço cativo na luta contra o crime, dando apoio no dia a dia das ocorrências policiais.
Entretanto, para chegarem ao momento de serem condecorados e se tornarem verdadeiros cães policiais, os animais precisam, desde cedo, estabelecer uma rotina de treinamentos diários para potencializar suas habilidades. Trata-se de exercícios de condicionamento físico, obediência, referentes ao trabalho propriamente dito e brincadeiras, sempre acompanhados por um profissional especializado para que o bem-estar animal seja garantido.
De acordo com o Cinotécnico Paulo Matias, tudo começa quando o cão ainda é filhote. Desta maneira, fica mais fácil ele se habituar à rotina e comandos e também a identificação de suas aptidões. Em média, os cães demoram de 1 a 2 anos para estarem prontos para entrarem em ação. “Mas o treinamento é contínuo. Mesmo após ele iniciar suas atividades na Polícia, o cão segue passando por atividades de adestramento para manutenção e aperfeiçoamento de habilidades”.
Os Militares também necessitam passar por um treinamento para construir uma relação de confiança e empatia com o animal, como forma de dar continuidade ao trabalho de adestramento iniciado.
Além do treinamento
Segundo o Sargento da Polícia Militar Anderson Adriano Selingardi, da 11º BAEP – 1ª Companhia de Ações Especiais de Polícia – GP Canil de Ribeirão Preto, que trabalha com cães há 12 anos, para cumprir as diversas missões exigidas, o cão de Polícia necessita de aptidão elevada de caça e presa, espírito de luta, coragem e um corpo clínico e profilaticamente sadio. Paulo ressalta que “os cães policiais precisam realizar visitas periódicas ao Médico-Veterinário, realizar exercícios físicos diários, ter a vacinação em dia e receber uma nutrição de qualidade e que atenda aos requisitos de cães de alta performance”.
Atualmente, 80% das Autarquias no Brasil alimentam seus cães com produtos  super premium de alimentos para  cães que atende aos exigentes protocolos de licitação elaborados com o objetivo de garantir a saúde do animal. “O tipo de trabalho, intensidade, duração, condição corporal e temperatura do ambiente são fatores que influenciam na dieta desses animais. Por isso, a precisão nutricional é de extrema importância para o crescimento e manutenção da saúde desses cães”, afirma Natália Lopes, Gerente de Comunicação Científica de uma grande empresa do segmento de alimentação animal.
Fazem parte do rol de raças utilizadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo o Pastor Alemão, Pastor Belga Malinois, Rottweiler, Doberman, Bloodhound, Golden Retriever, Labrador Retriever, Beagle e Springer Spaniel Inglês. Anderson explica que “algumas raças são treinadas para trabalhos específicos, mas dentre essas as mais utilizadas são o Pastor Belga Malinois e o Pastor Alemão, devido a versatilidade, resistência física e aptidão para o trabalho policial”.
Cães em ação
Esses animais conseguem exercer algumas funções com preciosismo:
• Trabalho de busca e apreensão: farejamento na busca de entorpecentes como cocaína, maconha, além de explosivos, munições e armamento. Atuam comumente em aeroportos e fronteiras de países.
• Imobilização e ataque: realizam o trabalho de perseguição e intimidação do indivíduo em apoio à Polícia nos pontos de bloqueio, inspeção de suspeitos e controle das vias urbanas.
• Reforçam a capacidade operacional em ações de vasculhamento, procura e captura em becos e locais de risco.
• Atuam em postos de segurança e vigilância militar. São empregados na segurança de estabelecimentos militares onde se exige o máximo de proteção como Bases Navais e Aéreas, Paióis de Munição, Postos de Combustíveis, entre outros.
• Sinistros ambientais: cada vez mais estão trabalhando no socorro em situações de terremotos, tsunamis, furacões e deslizamentos de terras, dando suporte na busca por pessoas soterradas e desaparecidas.
Uma história para recordar
Anderson compartilha uma história interessante de trabalho em que um cão foi essencial para o sucesso da ação.
A Polícia havia recebido uma ocorrência de roubo em um estabelecimento comercial, no qual um dos autores do crime foi detido e o outro fugiu em um veículo. Horas depois, chegou à denúncia de um automóvel abandonado com o mesmo emplacamento do carro utilizado na fuga. Foi então que Fanton, um Bloodhound adestrado para busca e captura, entrou em ação. A Polícia, junto com o cão, chegaram ao local em que o veículo fora abandonado e coletaram o odor contido nos bancos e volante, apresentando o cheiro para Fanton. “Ele começou uma busca implacável por várias ruas do bairro, atravessou a avenida e a 1,5km distante do lugar de início adentrou em uma delegacia passando por mais de três cômodos até chegar a uma senhora que estava fazendo o registro de um boletim de ocorrência”.
Talvez, neste momento, você esteja se perguntando o que uma senhora teria a ver com um roubo à mão armada, realizado por dois rapazes, e Anderson explica “com a experiência do adestrador e condutor do cão, a Polícia teve certeza de que ela teria sido a última a conduzir o veículo. Após interrogatório, ela confessou que seu filho chegou em casa extremamente assustado, pedindo para ela abandonar o carro e registrar boletim de ocorrência de roubo”. Diante do fato uma viatura deslocou-se até a residência em questão, onde o indivíduo foi detido e assumiu a participação no delito. “Nesse dia presenciei o potencial do olfato de um cão e a diferença que faz o binômio homem-cão”, conta Anderson.
Aposentadoria
A aposentadoria dos cães policiais se dá, aproximadamente, aos oito anos de idade, ou conforme orientação veterinária. Após esse período, o condutor Militar que por mais tempo trabalhou com o parceiro canino tem a prioridade de adotá-lo e levá-lo para casa.

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