A crise da causa animal em Uberaba

Ato
Acho que a palavra mias usada ultimamente no mundo e agora, especialmente no Brasil, por causa da pandemia, é a palavra “crise”. Mas se puxarmos pela memória, essa é uma palavra que há muito tempo está distribuindo “títulos” para muitas situações. E cada região contabiliza suas crises particulares. Aqui em Uberaba estamos presenciando a instalação de uma crise da causa animal, além das outras. Ou melhor, os desdobramentos de uma crise que foi publicamente instalada quando, segundo postagens em redes sociais, foi desmontada a sala onde ficava a Superintendência do Bem Estar Animal, órgão criado pela vereadora Denise Max. Segundo consta, esse espaço, com o pouco que tinha de elementos físicos necessários para funcionamento ( linha de telefone, cadeira, mesa, arquivos para documentos, etc), teve essa estrutura suprimida sem qualquer aviso prévio.
Naturalmente, os envolvidos com o trabalho da Superintendência, desde a sua criadora, manifestaram indignação com o fato e foram cobrar explicações. Explicações que foram dadas pela prefeitura usando como argumento o andamento de um projeto abrangente para causa animal com espaço físico maior e com melhores instalações para o funcionamento do trabalho a ser feito.

Fato
O fato é que não existe ainda esse espaço mais adequado. Então, até a sua estruturação, parece que o trabalho da Superintendência está paralisado. As redes sociais foram invadidas por protestos de muitos protetores independentes de animais. Mensagens de apoio às pessoas envolvidas com a Superintendência, como também postagens falando sobre esse projeto maior, até então desconhecido e ainda não em funcionamento. Por fim, o fato é que não está organizado um espaço onde o cidadão possa recorrer por algum motivo pelo qual existe uma Superintendência de Bem Estar Animal.

Boato
É preciso nesse momento, deixarmos de lado nossa paixão natural (do ser humano) por brigas e desavenças para deixarmos fluir apenas nossa paixão pela causa animal, que na verdade vai muito além da paixão e chega ao respeito, amor, empatia, responsabilidade e por ai afora. Podemos ver a qualquer instante nas redes sociais, textos e falas discordantes que são, na verdade, atitudes “vestidas” de justificativas. Muita coisa poderia ser classificada como boato.

Registro do blog
Naturalmente, fiquei a par de tudo o que aconteceu e, claro, o blog, por sua natureza, não poderia deixar de registrar. Mas o objetivo do blog não é um jornalismo investigativo ou com tendências políticas. O objetivo é apresentar ao seguidor quem faz o que pela causa animal e o que há de novidades no segmento. E foi assim que nesses anos de trabalho (ao todo 9 como comunicador pela causa animal) pude entrevistar as pessoas mais conhecidas com algum trabalho voluntário ou profissional nesse segmento em Uberaba. Médicos veterinários, comportamentalistas, protetores, políticos, autoridades e cidadãos apaixonados pelos bichos. Entre tantos, pode ser conferido no blog entrevista com o advogado e funcionário público municipal Raphael Muchiutti, vereadora Denise Max, advogada Janaína Coutinho (Superintendente Municipal do Bem Estar Animal à época da entrevista), Alessandra Piagem (que ainda não era vereadora à época da entrevista), entre outros nomes citados por ocasião da atual crise na causa animal. Ainda não tive a oportunidade de entrevistar o vereador Caio Godoy individualmente por uma questão de tempo (é o mais novo vereador pela causa). Confirmo o que disse em cada apresentação dessas pessoas em suas respectivas entrevistas. Antes de qualquer coisa, acreditei serem pessoas abnegadas e do bem, com vontade de ajudar.

Janaína Coutinho- ex Superintendente Municipal do Bem Estar Animal

Uma conquista para a causa
A iniciativa de se criar uma superintendência dessa natureza é muito louvável e uma conquista para a causa. Cumprimento a advogada Janaína Coutinho pelo trabalho realizado nesse órgão durante o período em que esteve ocupando o cargo de Superintendente. Trabalho atestado pelo Promotor de Justiça, Carlos Valera. Particularmente pude acompanhar em algumas ocasiões o trabalho de resgate e cuidado aos animais que precisavam de atendimento, o que me pareceu satisfatório no contexto em que aconteceram.

Atos, fatos e boatos
Como sempre, quem “paga o pato” de toda crise é quem não deveria pagar. No caso, os bichos. É poético falar dessa forma. Confortável, até. Mas não acredito que seja confortável o trabalho feito por uma Superintendência do Bem Estar Animal. Acredito sim que seja absolutamente necessário, com ferramentas e espaço para que exerça plenamente a sua função. Aqui estou apresentando o que sei sobre atos e fatos e o que entendo sobre boatos. A interrupção de um trabalho dessa natureza não traz qualquer benefício, e isso é um fato.

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