
Solstício de Inverno é um fenômeno da astronomia que marca o início do inverno. Nesse dia, um dos hemisférios (norte ou sul) recebe os raios do Sol de forma oblíqua (inclinada). Isso faz com que esse hemisfério receba menos iluminação solar e, portanto, menos calor.
No Hemisfério Sul, onde está localizado o Brasil, o solstício de inverno ocorre sempre no dia 20 ou 21 de junho. Já no Hemisfério Norte, onde estão os Estados Unidos e a Europa, o solstício de inverno ocorre entre os dias 20 e 21 de dezembro. Hemisférios são as duas metades do globo terrestre, que é dividido ao meio pela linha do Equador.
Com a chegada do inverno, vem também a preocupação: como ajudar os cães (domésticos e os de rua) nesta estação? Será que o cão regula a temperatura do corpo como nós, humanos?
Camilli Chamone, geneticista, consultora em bem-estar e comportamento canino e criadora da metodologia neuro compatível de educação para cães no Brasil, explica, com base em estudos relacionados à Fisiologia, como o de Guyton & Hall (“Tratado de Fisiologia Médica”), que cães são animais adaptados ao frio, uma vez que seus ancestrais evoluíram em regiões muito geladas do Planeta.
Prova disso é a maneira pela qual regulam a temperatura corporal: através da respiração – ao contrário dos humanos, eles praticamente nem transpiram.
“Ao longo do processo de evolução, inspirar o ar frio foi a forma que os cachorros encontraram de regular a temperatura do próprio corpo. Com isso, viver em locais de clima quente acaba sendo muito mais desafiador para eles, pois ficam ofegantes na tentativa de reduzir a temperatura do corpo, inspirando ar frio. Não raro, o calor leva os cães a morrerem de hipertermia”, detalha.
Assim, frentes frias só começam a ser complicadoras para o animal quando as temperaturas ficam negativas, algo raro no Brasil.
Além disso, duas características dos cães funcionam como isolante térmico, que os protegem do frio: pelo e gordura corporal. “Não há cobertor mais eficiente do que o pelo. Ele evita que o animal perca ou receba calor em excesso, ajudando a equilibrar a temperatura do corpo”, registra Chamone.
No entanto, é comum que as pessoas humanizem os peludos e se preocupem com tempos invernais. Dentro de casa, eles costumam ser extremamente protegidos e, assim, adquirem mais sensibilidade ao frio. “Quando o cão vive em clima quente, em ambientes fechados, sem passeio ou contato com o ar externo, fica longe das intempéries do frio e se torna mais sensível a qualquer queda de temperatura”, explica.
Para os cachorros de rua, a realidade é outra, já que estão, o tempo todo, expostos a ventos, chuvas e noites mais gélidas. Se estiverem saudáveis, dificilmente sentirão frio, pois são adaptados. “São como os cachorros selvagens, que vivem livres na savana africana e toleram temperaturas noturnas próximas a zero grau; os lobos, de florestas temperadas, abaixo de zero; e os ursos, que toleram temperaturas negativas, no Polo Norte”, exemplifica Chamone.
Recomendações
Para saber se um cão está, de fato, com frio, só existe um critério confiável: se estiver tremendo, e que não seja em contexto de dor ou medo. “Ao tremer, ele realiza uma atividade muscular involuntária, cujo objetivo é aumentar a temperatura de seu corpo”, informa.
Nessas situações, Chamone recomenda ações simples.
Para cães domésticos:
1) Disponibilize cobertores e mantas e proteger o cão de ambientes abertos – se ele dorme em área externa, por exemplo, é interessante providenciar casinha com papelão no chão.
2) Evite empacotá-lo demais com roupas ou muitas cobertas. “Além de causar desconforto, isso pode torná-lo cada vez menos resistente ao frio, sendo que o ideal é sempre aumentar a adaptabilidade do cão ao ambiente em que vive. Deixar janelas abertas, para o ar circular, e acesso a áreas externas à casa são ações importantes para esta adaptabilidade”, pondera a geneticista.
3) Cuidado especial com cães idosos, pelo fato de comumente terem doenças articulares. “Elas costumam piorar no frio porque o cachorro fica mais quieto e encolhido, contraindo muito a musculatura. Por isso é importante estimular seus movimentos”.
4) Mantenha os passeios diários. Chamone explica que a atividade física é recomendada, pois eleva a temperatura do corpo, além de produzir inúmeros efeitos benéficos à saúde. “Ao ficar mais ofegante, o cachorro aumenta sua taxa metabólica e a temperatura corporal, conseguindo se auto aquecer. Portanto, o passeio é essencial em qualquer estação do ano, inclusive para manter a qualidade de vida diária do animal”, garante.
Para cães de rua:
1) Doe alimentos. “Para se manter aquecido, através da regulação da temperatura corporal, ele precisa de energia, que será encontrada na comida; ela é o combustível que o peludo necessita para se proteger do frio. Por isso, doar comida é o passo fundamental para ajudá-lo a enfrentar o clima gelado”, simplifica.
2) Evite roupas e doe cobertores de chão. “Além de incomodar, estas peças podem molhar, em caso de chuva, e piorar a situação. Portanto, é prudente que sejam substituídas por cobertores de chão, que também são bem-vindos”.
3) Leve-o ao veterinário para investigar possíveis doenças, se houver grande sensibilização ao estado de saúde do cão no inverno.
“Estas são as formas mais eficazes de fazer o bem aos peludinhos na estação mais gelada do ano; juntamos, com essas atitudes, ajuda, conhecimento e atos de amor”, finaliza a geneticista.