Leonardo Costa Fernandes

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Já ouviu falar em dog walker? Pois é, acho que sim. Claro, o seguidor do blog é,no mínimo, um apaixonado por pets, então essa expressão em inglês é bem conhecida. Em cidades grandes, com pessoas sempre ocupadas, os cachorros já não podem mais depender de seus donos para aquele passeio diário. Para resolver o problema dos bichinhos, e, por tabela, dos seus donos, que não aguentam mais ver estragos nos móveis e paredes por causa da energia canina acumulada, surgiu nos últimos anos um novo profissional para atender a essa demanda, já muito comum em países como os Estados Unidos. Trata-se de pessoas especializadas em passear com os cães alheios, também conhecidas pelo termo inglês dog walkers. É a combinação perfeita de cães + profissão bacana + saúde. Um dog walker é uma espécie de acompanhante de caminhada para o seu cãozinho. Seu cão precisa exercitar-se, tanto pela saúde quanto pelo gasto de energia acumulada, especialmente para cães que vivem em apartamentos e não tem espaço para correr e brincar. Para sabermos um pouco mais, fizemos um entrevista diferente, exatamente com esse profissional.

 

“Quando um deles se torna uma estrelinha é um momento muito difícil para mim”

 

Marcos Moreno – Há quanto tempo você trabalha com cães?
Leonardo Costa Fernandes– Trabalho com cães a 7 anos.

Marcos – É preciso treinamento para esse trabalho. Existe curso?
Leonardo- O treinamento se adquire com prática e atualização permanente sobre tudo que envolve o comportamento animal. Hoje existem cursos de DogWalker onde se prepara os interessados em trabalhar com cães para uma melhor execução do trabalho de passeios. Não é simplesmente pegar uma guia e sair andando. Existem vários fatores que envolvem essa profissão e que boa parte é adquirida com o tempo e a prática do dia a dia. No meu caso, realizei treinamento comportamental em um workshop em São Paulo com o especialista em comportamento animal Alexandre Rossi. Além disso, sempre procurei me aprimorar com vídeos e livros relacionados sobre o assunto.

Marcos – O importante ter jeito com os animais, não é?
Leonardo – Muito importante. Além de jeito, acima de tudo, você tem que amar o que faz. Tem que amar de verdade os animais. Eles sabem distinguir quem gosta ou não. Não adiante tentar enganá- los.


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Marcos – O temperamento dos cães varia muito?
Leonardo – Sim. Cada um tem uma personalidade. Não existem cães com o mesmo comportamento. Sempre vai haver uma diferença. Um fato que sempre percebi foi que eles conseguem absorver sua energia. Quando eu passeio com eles em um momento que estou passando por algum problema pessoal, eles conseguem perceber e passam a agir de outra forma nos passeios.

Marcos – Qual a raça mais difícil?
Leonardo – A raça mais difícil que trabalhei até hoje foi a da raça Chow Chow. Acredito que pelo fato não serem cães originários de nossa região que é uma região muito quente, causa um certo stress proveniente do calor excessivo os deixando mais nervosos.

Marcos – É possível ou necessário fazer esse trabalho com outras espécies de animais?
Leonardo – É possível sim. Acredito que qualquer espécie é adestrável. O que muda são as técnicas, o conhecimento de cada caso e acima de tudo paciência e amor pelo o que você faz.

Marcos -Você já teve algum caso muito difícil?
Leonardo – Foi com um labrador que se chama Max. Seus tutores não conseguiam passear com ele nas ruas, então fui chamado para tentar solucionar o problema. Depois de um mês de tentativas infelizmente não obtive êxito no treinamento. Mas depois de analisar bem a situação, conclui que o fato pelo qual impossibilitou o sucesso do treinamento foi que o Max se encontrava em um local muito limitado o deixando muito estressado. O stress era tanto que mesmo com os passeios de 45 minutos não era o suficiente para canalizar esse problema que o Max estava passando impossibilitando o sucesso do treinamento. Relatei minha conclusão para seus tutores onde falaram que iriam levar o Max para a casa de sua filha onde tinha um espaço maior.

Marcos – Como está esse mercado para o profissional?
Leonardo – No momento está muito ruim. O Brasil passa por uma recessão enorme onde prejudicou significativamente nossa profissão. As famílias tiveram que fazer cortes nos gastos, e infelizmente, os passeios com seus cães foram considerados por muitas famílias como um gasto supérfluo.

Marcos – Você tem carinho especial por algum?
Leonardo – O meu carinho é igual com todos. Quando um deles se torna uma estrelinha é um momento muito difícil para mim. Sofro tanto e até mais do que seus tutores.

Marcos – Existe empatia entre o profissional e o cão?
Leonardo – Muita! É muito importante você ter uma boa ligação com o cão que você está passeando. A sintonia com os cães promovem acontecimentos surpreendentes.

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