Morre um herói

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O canil da Guarda Civil Municipal de Tatui (SP) perdeu um dos seus principais agentes de segurança na última sexta-feira (14): o cão Marley, da raça Golden Retriever. Primeiro e único cachorro condecorado pela corporação no município, Marley trabalhou 10 anos como farejador e ajudou a apreender mais de 50 quilos de drogas e a prender mil pessoas, segundo seu adestrador e guarda municipal Juceil Batista Rodrigues. Entretanto, para Juceil, o animal foi mais do que um parceiro, se tornou um amigo.
“Perdi o meu melhor amigo e o meu parceiro. Foi muito de repente. Ele apresentou um problema no coração por conta da velhice, pois já estava com quase 10 anos, e não resistiu. Com a sua partida, não tem como não lembrar e se emocionar por tudo que passamos juntos. Passa um filme na cabeça. Lembro quando ele chegou pequenininho, com apenas três meses, e como foi ter o primeiro cachorro da Guarda Civil. Comecei a adestrá-lo e com um ano já estava trabalhando junto comigo em apreensões de drogas. Sempre vou me lembrar dele. Não terá como esquecê-lo. Jamais”.
Juceil conta que desde filhote Marley já se mostrava esperto e corajoso. Ele chegou apenas com três meses no canil da corporação e começou a trabalhar após um ano. “A raça dele é de um cão leal, ativo e amigo. Ele sempre foi muito esperto e desde filhote já se mostrava que ia se destacar. Deu super certo o adestramento quando filhote e estivemos juntos em muitas ocorrências”, diz.
O cão trabalhou em ocorrências de tráfico de drogas e ajudou a apreender diversos entorpecentes. “Foi uma honra tê-lo ao meu lado. Ele era um cachorro diferenciado”, relembra o agente.
Uma medalha de condecoração foi dada ao Marley devido aos relevantes serviços prestados à corporação. Não só na parte de tráfico, de farejamento, mas também pelo trabalho na área social.
Ainda segundo Juceil, Marley era famoso em Tatuí, cidade com cerca de 116 mil habitantes, e chamava a atenção de todos, principalmente das crianças. “Todos amavam ele. Ao mesmo tempo que era dinâmico nas ocorrências de tráfico de drogas, ele era muito meigo e dócil. Por isso, participava dos projetos sociais nas escolas, em eventos de adestramento e as crianças amavam ele”, diz.
Há dois anos Marley estava aposentado e foi para a casa de Juceil, onde passou o tempo com a família do agente.
“Com a aposentadoria, o cão farejador sempre vai para a casa de quem o adestrou por conta da proximidade que o animal tem com a pessoa. Ele foi para minha casa e minha esposa e os meus três filhos se apegaram muito nele. Ele fazia parte da minha rotina e todos os dias eu chegava em casa e passeava com ele e meus filhos. Agora, fica um vazio. A sensação de que falta algo.”
O guarda ainda ressalta que Marley ficará na história da Guarda Civil e também na história de sua vida. “A gente sabe que os cães não são pra sempre. Mas é claro que queremos que eles fiquem com a gente por mais tempo. Eu queria que o Marley ficasse comigo mais tempo e estava até planejando uma festinha dos 10 anos dele. Ele ficará na história da corporação e na história da minha vida.”

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