Cara de um, Focinho de outro!

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Dono agitado, cão agitado. Dono sossegado, cão sossegado. O comportamento do tutor pode refletir nos pets. E há explicação para isso: genética, ambiente e aprendizado.
Segundo Renato Zanetti, zootecnista e especialista em comportamento animal, esses três fatores determinam o temperamento do cachorro e fazem com que ele fique parecido do dono.
Experiência própria
Experiência pessoal, só para ilustrar mesmo a matéria: meu cachorro de nome Chien nunca subiu em uma mesa de clínica veterinária, a não ser depois de sedado com um comprimido (única vez) para ser examinado em função de um tumor (benigno) que posteriormente foi retirado.
Passamos, no decorrer do tempo, por vários clínicas e profissionais da área. Todos ótimos, porém, ninguém conseguia colocar o cachorro em cima da mesa ou colocar uma focinheira nele. Sempre foi atendido no chão mesmo, com muita dificuldade. Toma vacina todo ano, claro. E sempre é um sofrimento para todos. Ele, eu e o profissional.
Certa vez, um dos profissionais pediu que eu me retirasse da sala para tentar examinar seus (do cachorro) ouvidos. Sem resultado. Então o profissional me perguntou: “você é muito ansioso?”. Minha resposta: “sim, mas ele (o cachorro) não sabe”. E o profissional me disse: “sabe sim”. Ou seja, sou testemunha de que eles realmente captam as características do dono e ficam mesmo parecidos. Não vivemos em um ambiente ruim, vale ressaltar, mas a minha ansiedade sem dúvida muito influenciou o seu comportamento.
Manias e expressões
As semelhanças entre os animais e seus donos incluem reações, manias e expressões. “Quando afirmamos que ‘o cão é a cara do dono’ estamos nos referindo exclusivamente a questões comportamentais. Não há nenhuma evidência de que a semelhança seja física”. Afirma o zootecnista.
“Se, de uma ninhada, você escolher um cão esperto, destemido e brincalhão, consequentemente ele tem uma genética muito ativa. Se a sua família é animada, que sempre brinca e mantém interatividade constante com o pet, ele também terá o fator ambiente, que faz com que ele continue elétrico. Logo, o cachorro aprende que sempre que fizer uma ‘baguncinha’, terá interações e bons momentos com os membros da família”, explica.
Perfil
No entanto, Zanetti ressalta que esse mesmo cão geneticamente ativo pode ter outro tipo de comportamento, de acordo com ambiente e perfil do dono.
“Imagine que este mesmo cão vá morar numa casa com um casal de idosos, com baixa interação física e pouca interatividade. Toda vez que o cão fica quietinho no colo e no sofá, enquanto o casal assiste à TV, por exemplo, ele recebe carinho e outros estímulos. O ambiente é o mais pacato possível, e o cão aprende que sempre há uma recompensa quando está calmo. Ele é o mesmo cão geneticamente ativo, mas em ambientes e aprendizagens diferentes”, diz.

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