
O cachorro que foi jogado por cima do portão de uma Organização Não Governamental (ONG) em Itapetininga (SP) está sendo cuidado em um lar transitório no município e recebendo atendimento veterinário na União Internacional Protetora dos Animais (Uipa). De acordo com a veterinária Nádia Campanhol, devido à queda, o animal machucou uma das patas e o focinho. Porém, está bem e sendo medicado com anti-inflamatórios e antibióticos.
“Ele já estava com dificuldades urinárias quando chegou e um pouco assustado. Agora está tomando remédios e deve ter alta em 10 dias. Ele está na casa de um voluntário, uma casa transitória. Mas está sendo trazido à Uipa duas vezes por dia para ser medicado”, explica.
Segundo a gerente da ONG, Ellen de Barros, o cão é dócil e os funcionários já o batizaram de Guareí, pois é a cidade em que fica o sítio administrado pelo suspeito de arremessar o animal.
A intenção da entidade, que cuida de aproximadamente 300 animais, entre cães e cavalos, é que o cachorro fique na ONG após o inquérito policial ser concluído para que ele possa ser adotado.
“Vamos ficar com ele até o fim do processo policial. Depois ele ficará para a adoção junto com os outros cães da entidade. Acredito que o Guareí sirva de exemplo para as outras pessoas que planejam abandonar animais na ONG. Isso porque a repercussão foi tanta que a pessoa pode pensar duas vezes antes de cometer tal ato. Só espero que haja uma pena para o homem, não apenas um ‘processinho’, porque se não der ‘em nada’ ninguém terá medo de abandonar os animais”, completa Ellen.
O caso de abandono e maus-tratos aconteceu na última quinta-feira (8). O suspeito do crime, um fazendeiro com mais de 50 anos de idade, prestou depoimento na polícia nesta quarta-feira (14) e demonstrou indiferença, conforme o escrivão Antônio Fernandes, responsável pela oitiva. “Ele justificou que o cachorro apareceu no sítio dele e que mordeu o filho de um funcionário da propriedade. A criança foi mordida na barriga, segundo ele. Ele não falou sobre estar arrependido sobre o fato, foi indiferente”, afirma o policial.
Segundo o escrivão Antônio Fernandes, o homem mostrou indiferença durante o depoimento. “Ele afirma que bateu palmas e chamou por alguém na frente da entidade, mas como ninguém o atendeu, resolveu jogar o cão pelo portão. Ele não falou sobre estar arrependido sobre o fato, foi indiferente”, explica.
Esta foi a terceira versão dada pelo suspeito desde o fato, que foi na última quinta-feira (8). Segundo a veterinária Nádia Campanholi, o fazendeiro chegou a falar que o cachorro foi jogado porque comia galinhas do sítio dele.
“Ele disse que tinha achado o cachorro na estrada, que ele não sabia o que fazer e resolveu jogar lá. Aí ele mudou a versão, falou que o cachorro era do caseiro de um sítio dele. Mas logo ele falou que não. Que o cachorro era dele mesmo, que estava comendo as galinhas do sítio e por isso resolveu jogar no abrigo”, afirma.
O delegado responsável pelo caso, Rafael de Medeiros, afirma que, agora com o depoimento, só vai esperar o laudo veterinário sobre os danos causados ao animal na queda para concluir o inquérito policial. O homem responde ao inquérito em liberdade. “Após receber esse documento veterinário vou enviar o processo ao Juizado Especial Criminal. Normalmente nesses casos o condenado é obrigado a pagar multa, que pode ser revertida à ONG afetada, ou serviços comunitários. A pena depende da Justiça.”, conclui.