
Segundo estudos científicos, de 10.000 a 30.000 anos o cão tem sido criado para viver ao lado de seres humanos. Claro, o cão é o maior exemplo, mas também outros animais domésticos, como gatos e roedores já contam com a assistência humana para viver.
Isso, no caso dos cães, fez com que sua natureza divergisse significativamente da de seus antepassados lobos, cujos instintos selvagens permaneceram intactos a tal ponto que seria desaconselhável para eles viverem em uma casa com humanos. As características selvagens dos cães foram em grande parte suprimidas por muitas gerações de reprodução seletiva e domesticação, a tal ponto que eles muitas vezes têm dificuldade em sobreviver sem a assistência humana, como atestam as muitas histórias trágicas de cães de rua, famintos e sem teto. Tendo feito os cães modernos existirem, nós, seres humanos, temos a responsabilidade de cuidar deles.
A história dos gatos domésticos modernos seguiu uma trajetória similar (embora estes felinos atrevidos tendam a ser muito mais independentes do que suas contrapartes caninas). Cientistas estimam que os gatos domésticos possam ter surgido de 3.600 a 10.000 anos atrás. Enquanto isso, roedores como ratos e camundongos também se adaptaram a viver em estreita proximidade com os seres humanos, vasculhando por alimentos sempre que possível e regularmente entrando em contato conosco (o que muitas vezes pode levar a consequências trágicas ou infelizes para os animais envolvidos, considerando que roedores ainda são amplamente desprezados por muitos seres humanos).
No entanto, existem algumas pessoas por aí que desejam um tipo mais exótico de animal de estimação. Em todo o mundo, o comércio de animais de estimação exóticos visa animais altamente ameaçados de extinção, como lóris lentos orangotangos, leões, tigres, saguis pigmeus e outras espécies que nunca se adaptaram a viver diretamente ao lado dos seres humanos… algo que pode ser extremamente prejudicial para esses animais. Poucos fãs de animais exóticos reconhecem a crueldade envolvida quando um animal é capturado da natureza, a fim de alimentar a tara por animais domésticos “incomuns”. Isso geralmente envolve arrancar o jovem animal de sua mãe em uma idade muito tenra e modificar seu corpo de forma que os torne mais “seguros” para seus novos tutores. Por exemplo, os lóris lentos frequentemente têm sua principal fonte de proteção – seus dentes venenosos – removidos em um procedimento extremamente doloroso. Pássaros exóticos têm frequentemente seus bicos fechados com fitas adesivas para mantê-los em silêncio durante o processo de transporte e contrabando, ou então são alimentados com drogas.
Capturar animais ameaçados de extinção da natureza para que sejam usados como animais de estimação também alimenta o problema da caça selvagem desenfreada, que tem dizimado populações selvagens por tantas décadas. Estima-se que aproximadamente 5.000 tigres estejam sendo mantidos como animais de estimação em quintais dos EUA, o que é mais do que o total de cerca de 3.900 tigres que existem soltos na natureza em todo o planeta. Este número de 3.900 (relatado no ano passado, após extensas pesquisas em habitats de tigres) é uma melhoria na estimativa anterior de 3.000, mas ainda há um longo caminho a percorrer antes que esses animais possam ser considerados a salvo da ameaça de extinção. Tigres já estão seriamente ameaçados pela perda de habitat e pelos caçadores furtivos que os perseguem por seus dentes, pele, carne e outras partes do corpo. Em adição à sua ameaça de extinção, comercializá-los como animais de estimação só agrava ainda mais essa situação perigosa.
Infelizmente, este é um padrão generalizado entre todas as espécies animais exóticas alvejadas desta maneira. Quase um terço das espécies de papagaios ao redor do mundo está perto da extinção devido ao comércio de aves exóticas, e elas são capturadas de maneira extremamente cruel. De acordo com a Associação de Consumidores de Penang, na Malásia, práticas como cobrir um ramo com uma substância pegajosa à espera de um pássaro pousar nele, ou o uso de redes espalhadas por toda a rota das aves visadas, são responsáveis por muitas “mortes lentas e agonizantes” de aves exóticas a cada ano.
Um problema adicional é que aqueles animais que chegam ao estágio final para serem vendidos como animais de estimação exóticos representam apenas uma fração do número total de animais que podem ter morrido ao serem capturados ou transportados. Para cada animal capturado com sucesso e entregue a um novo tutor, muitos outros encontraram suas mortes ao longo do caminho.
O que você pode fazer para ajudar?
Não importa o quão adoráveis eles possam ser, nunca compre um animal exótico, tal como um macaco, um grande felino, ou um pássaro exótico, porque eles frequentemente foram obtidos por meios cruéis e ilegais, e dar seu dinheiro para levá-los para casa só impulsiona ainda mais o comércio de animais exóticos. Em vez disso, apoie uma organização que trabalhe para salvar esses animais e acabar com o comércio de animais de estimação exóticos. Se você anseia por um amigo para abraçar, por que não considera a adoção de um cão ou um gato de seu abrigo local de animais resgatados? Esses lugares estão sempre transbordando e, ao acolher um gato ou cão desabrigado, você estará fazendo uma diferença real. Também é possível ajudar espalhando a consciência sobre a verdade por trás do comércio de animais exóticos.
Por Aisling Maria Cronin / Tradução de Alda Lima