Julho Dourado: mês de conscientização sobre a importância da vacinação animal e prevenção de zoonoses

A campanha Julho Dourado Pet é dedicada à conscientização sobre a importância da vacinação animal e da prevenção de zoonoses – doenças que podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos. A iniciativa destaca o papel essencial dos cuidados preventivos para garantir a saúde e o bem-estar dos pets, além de proteger toda a comunidade. É um mês para reforçar a responsabilidade e o carinho que todo tutor deve ter com seus animais.
A médica-veterinária e preceptora de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário da Uniube (HVU), Aline Maria de Matos, deu informações detalhadas sobre a importância da vacinação na prevenção de doenças graves e zoonoses.
“Vacinar os animais é uma forma eficaz de barreira sanitária, pois impede que eles se tornem reservatórios ou vetores de patógenos zoonóticos”
Marcos Moreno- Qual é a importância da vacinação regular em animais domésticos para a saúde pública?
Aline Matos- A vacinação de cães e gatos é uma estratégia fundamental de saúde pública, pois previne a disseminação de doenças infecciosas, muitas das quais são zoonoses, ou seja, transmissíveis entre animais e seres humanos. A imunização em massa, especialmente contra a raiva, tem impacto direto na redução dos casos dessa doença fatal em humanos e animais, sendo reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma medida essencial para o controle e a erradicação da enfermidade.
Marcos- Quais são as principais doenças que podem ser prevenidas com a vacinação animal?
Aline Matos– Nos cães, as principais doenças preveníveis por vacinação são raiva (zoonose), cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina (adenovirose), leptospirose, parainfluenza e tosse dos canis (traqueobronquite infecciosa). Já nos gatos, as vacinas protegem contra raiva, panleucopenia felina, rinotraqueíte viral felina, calicivirose felina, clamidiose e leucemia viral felina (FeLV). Algumas dessas doenças apresentam alta morbidade e mortalidade, e muitas são altamente contagiosas.
Marcos- Como a vacinação de cães e gatos ajuda a prevenir zoonoses que afetam os seres humanos?
Aline Matos– Vacinar os animais é uma forma eficaz de barreira sanitária, pois impede que eles se tornem reservatórios ou vetores de patógenos zoonóticos. A raiva é o exemplo mais crítico: a vacinação de cães foi responsável por praticamente erradicar os casos urbanos em humanos no Brasil. A leptospirose, que pode ser transmitida por cães infectados por meio da urina, também é controlada, em parte, pela imunização regular dos pets.
Marcos- A vacinação é suficiente ou deve ser combinada com outras ações preventivas no cuidado animal?
Aline Matos– A vacinação é essencial, mas não suficiente por si só. Deve ser combinada com outras ações, como vermifugação, controle de ectoparasitas (pulgas, carrapatos, mosquitos), exames clínicos regulares, boa nutrição, higiene e manejo ambiental adequados, além da educação contínua dos tutores.
Com que frequência os tutores devem vacinar seus pets? Existe um calendário vacinal obrigatório?
Aline Matos: Sim. O calendário vacinal básico é recomendado pelos conselhos de medicina veterinária, como o CFMV, e por associações internacionais como a WSAVA (World Small Animal Veterinary Association). Cães filhotes devem iniciar a vacinação entre 6 e 8 semanas de idade, com reforços a cada 3 ou 4 semanas até atingirem 16 semanas de vida. Gatos filhotes devem receber a primovacinação com 8 semanas de vida e o reforço deve ser realizado 3 ou 4 semanas após a primeira dose. O reforço anual é indicado para a maioria dos animais. A vacinação contra a raiva é obrigatória por lei e gratuita em campanhas públicas no Brasil. O reforço deve ser realizado anualmente.
Marcos- O que ainda dificulta o acesso à vacinação em massa de animais no Brasil, especialmente em áreas rurais?
Aline Matos– Os principais obstáculos incluem a falta de informação ou desinformação, os custos das vacinas que não são gratuitas e a ausência de políticas públicas voltadas à causa.
Marcos- Quais sinais indicam que um animal pode estar com uma doença grave que poderia ser evitada com vacinação?
Aline Matos– Os sinais costumam ser inespecíficos, como febre, letargia, perda de apetite, vômitos, diarreia, tosse ou secreção nasal/ocular, convulsões, sintomas neurológicos, icterícia e emagrecimento. Esses sintomas podem indicar doenças como cinomose (cães), parvovirose (cães), FeLV (gatos) ou raiva (cães e gatos), especialmente se o animal não tiver sido vacinado.
Marcos- Quais são os riscos de não vacinar um animal, tanto para ele quanto para sua família ou comunidade?
Aline Matos– Os maiores riscos incluem o adoecimento do pet, possíveis sequelas permanentes e até óbito. Além disso, há risco de contaminação de outros animais, transmissão de zoonoses para humanos e aumento dos custos com tratamentos. A não vacinação contribui para a redução da imunidade coletiva e a perpetuação de ciclos infecciosos.