André Cavalieri

Sadie reencontra sua tutora astronauta!

No nosso cotidiano, o tema “pet” está inserido em todas a socasiões e fatos. Sim, eles, os pets, ocupam um lugar fundamental na nossa vida e, exeriências de vida, de um modo geral, têm mostrado o espaço que essa relação tem ocupado nas nossas vidas. Assunto da hora, o primeiro voo tripulado do programa Artemis, que marca, um passo fundamental rumo ao retorno a longo prazo da Lua e a futuras missões a Marte, não deixou de estar inserido em uma questão desse segmento pet, tendo como referência a reação da cadela Sadie ao rever a astronauta Christina Koch, pela primeira vez após seu retorno à Terra. Christina Knoch compartilhou nas redes sociais um emocionante vídeo do reencontro com sua cadela de estimação.

Em relato, ela destacou o papel essencial de sua cadela no controle do estresse e da ansiedade após uma missão espacial, reacende um debate cada vez mais relevante: como os pets podem contribuir para a saúde mental de pessoas submetidas a rotinas intensas e ambientes de alta pressão.

Cada vez mais estudos e experiências práticas mostram que o vínculo com animais pode atuar como um importante regulador emocional — algo especialmente valioso para profissionais de áreas exigentes, como saúde, segurança, tecnologia e até exploração espacial.

Fundador da Dog Corner, empresa que oferece serviços pet como creche, banho, hotel e adestramento, em São Paulo, André Cavalieri fala sobre sincronização comportamental dos pets com o estado de seus tutores.

“Cães leem pistas verbais, tonais e corporais e regulam seu comportamento conforme o humano”

Marcos Moreno– Na prática, vocês percebem mudanças no comportamento dos cães quando os tutores estão mais estressados ou ansiosos?
Andre Pescatori– Sim. Cães mostram alterações comportamentais sincronizadas com o estado dos tutores: aumento de inquietação, lambedura excessiva, vocalizações, hipervigilância, perda de apetite ou, ao contrário, comportamento mais apegado e apego ao dono. Em lares com tensão crônica aparecem mais sinais de stress crônico (agitação, marcação, comportamentos repetitivos).

Marcos- Os animais tendem a reagir ao estado emocional dos donos? Como isso aparece no dia a dia?
André– Sim. Cães leem pistas verbais, tonais e corporais e regulam seu comportamento conforme o humano. No dia a dia isso aparece como: resposta ao tom de voz, busca de proximidade quando o dono está triste/ansioso, imitação de expressões corporais (postura tensa, cão tenso), aumento de alerta quando o dono demonstra medo ou raiva.

Marcos-Em situações de separação, como rotina de trabalho intensa ou viagens, é comum observar alterações no comportamento dos pets?
André– Muito comum. Podem surgir ansiedade de separação (choro, latido persistente, destruição, eliminação dentro de casa) ou depressão reativa (apatia, comer menos). A intensidade depende do vínculo pré-existente, previsibilidade da rotina e estímulos substitutivos (passeios, enriquecimento).

Marcos- A convivência com outros cães e atividades em creche pode influenciar o comportamento emocional dos animais? De que maneira?
André- Sim. Benefícios: socialização controlada, gasto energético, enriquecimento e redução da ansiedade em cães sociáveis. Pontos a considerar: alguns animais podem se sentir sobrecarregados por muitas interações ou por encontros inadequados. Fatores que favorecem resultados positivos incluem seleção cuidadosa de grupos por temperamento e porte, supervisão qualificada, espaços adequados e rotina estruturada. Quando esses elementos estão presentes, a creche tende a promover regulação emocional; sem eles, o cão pode ficar mais estressado.

Marcos-Há sinais que indicam que o animal pode estar sendo impactado pela rotina ou pelo estado emocional do tutor?
André– Sim, sinais frequentes:
• Mudança no apetite ou sono.
• Hipervigilância ou agitação.
• Lambeção excessiva, coçar-se frequentemente.
• Latidos/choros fora do habitual.
• Evitamento ou apego excessivo ao tutor.
• Comportamentos destrutivos quando sozinho.
• Alterações na eliminação, se persistirem, avaliar contexto, registrar frequência e procurar um profissional (veterinário ou profissional comportamentalista) para plano de intervenção (rotina previsível, exercícios, enriquecimento, treino de dessensibilização e, se necessário, suporte farmacológico)

Os comentários estão fechados.