
Convivência Saudável!
Denise Neves é especialista em comportamento animal e sócia da Dog Corner, centro especializado em creche, hotel, banho e adestramento para cães, com atuação na Grande São Paulo. Com trajetória anterior em marketing e planejamento estratégico, trabalha na profissionalização da gestão no setor pet, com foco em processos, padronização de serviços e experiência do cliente. Também atua diretamente na rotina, socialização e segurança dos cães, com ênfase em práticas que contribuem para o equilíbrio comportamental. É essa a profissional desse segmento que conversou com o blog abordando um tema que ainda causa dúvida em muitos de nós: a conviência de crianças com pets é saudável?
“Não existe um “pet ideal universal”, existe o pet ideal para aquela dinâmica familiar”
Marcos Moreno– A partir de que idade essa convivência começa a ser saudável para a criança?
Denise Neves– A convivência pode ser saudável desde os primeiros meses de vida, desde que seja sempre supervisionada. O mais importante não é a idade da criança, mas a mediação dos adultos. Nos primeiros anos, o contato é mais sensorial e afetivo; conforme a criança cresce, ela passa a entender limites, respeito e responsabilidade.
Marcos– Qual a maior contribuição dos animais para a formação da criança?
Denise– Os animais contribuem diretamente para o desenvolvimento emocional. Eles ajudam a criança a desenvolver empatia, senso de responsabilidade, respeito ao outro e até controle emocional. Além disso, a convivência com pets estimula vínculos afetivos e ensina, na prática, sobre cuidado e convivência.
Marcos– É preciso saber escolher um animal adequado ao perfil da criança?
Denise– Sim, e esse é um ponto muitas vezes negligenciado. Não existe um “pet ideal universal”, existe o pet ideal para aquela dinâmica familiar. É importante considerar o nível de energia da criança, o tempo disponível da família, o espaço da casa e o perfil comportamental do animal.
Marcos– Pensando em cães, quais raças tendem a ter melhor convívio com crianças?
Denise– Algumas raças são conhecidas por serem mais tolerantes, sociáveis e equilibradas, como o Cavalier King, Shih-Tzu, Labrador e Golden Retriever.
Mas é importante reforçar: mais do que a raça, o que realmente define o bom convívio é a socialização, o manejo correto e o temperamento individual do cão.
Marcos– Além de cães, quais outros animais podem ser indicados para esse tipo de convivência?
Denise– Outros animais também podem proporcionar boas experiências, como gatos, porquinhos da índia e coelhos. Os gatos, por exemplo, ensinam muito sobre respeito ao espaço do outro. Já animais menores podem ser boas introduções à responsabilidade, desde que a criança seja orientada sobre como interagir corretamente.
Marcos– Ainda é comum vermos famílias que se desfazem de seus pets com o nascimento de um filho. Como você avalia esse comportamento?
Denise– Esse comportamento geralmente está ligado ao medo e à falta de informação. Em vez de afastar o animal, o ideal é preparar o ambiente e o pet para a chegada do bebê. Quando bem conduzida, essa convivência tende a ser extremamente positiva para todos.
Marcos– Crianças têm capacidade de entender sinais não verbais dos pets?
Denise– Elas podem aprender, mas não é algo natural ou imediato. Crianças pequenas ainda não interpretam corretamente sinais como desconforto ou estresse. Por isso, cabe aos adultos traduzirem esses sinais como rosnados, rigidez corporal ou afastamento e ensinarem a criança a respeitar esses limites.
Marcos– Quais cuidados higiênicos e de saúde são indispensáveis nessa convivência?
Denise– Manter a vacinação e vermifugação dos pets em dia é essencial, além de higiene regular, como banhos e limpeza do ambiente. Também é importante ensinar a criança a lavar as mãos após interações e evitar contato com alimentos e pertences do animal. Esses cuidados garantem uma convivência segura e saudável.
Marcos– Qual é o papel dos pais no desenvolvimento dessa relação?
Denise- Os pais são os principais mediadores dessa relação. Eles devem supervisionar interações, ensinar limites tanto para a criança quanto para o animal e criar um ambiente seguro. Também são responsáveis por ensinar respeito, ou seja, não puxar, não invadir espaço e entender o momento do pet.
Marcos-O que nunca é aconselhável no convívio entre crianças e animais?
Denise– Nunca é aconselhável deixar crianças e animais sozinhos sem supervisão, especialmente nos primeiros anos. Também não é adequado permitir brincadeiras bruscas, como puxar orelhas ou subir no animal. Outro ponto crítico é ignorar sinais de desconforto do pet, isso é o que mais gera acidentes.
Por fim, para garantir uma convivência realmente segura, equilibrada e positiva entre crianças e animais, a orientação de um profissional capacitado faz toda a diferença. A contratação de um adestrador qualificado ajuda a preparar o pet para esse convívio, ajustar comportamentos, orientar a família sobre a comunicação correta com o animal e, principalmente, prevenir situações de risco.