
Pesquisas da Universidade Santo Amaro (Unisa) com pinguins, bugios e serpentes apontam o potencial da homeopatia como ferramenta complementar para fortalecer a imunidade, auxiliar no manejo reprodutivo e no controle de enfermidades em animais silvestres
Pesquisas desenvolvidas pela professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Santo Amaro (Unisa), Cideli de Paula Coelho, investigam o uso da homeopatia em diferentes espécies da fauna silvestre. Os resultados preliminares apontam para expectativas promissoras.
“A preservação da fauna silvestre exige estratégias que aliem bem-estar animal, conservação da biodiversidade e sustentabilidade. Nosso trabalho investiga a homeopatia como uma ferramenta complementar para o manejo de animais silvestres, contribuindo para a manutenção da saúde, do equilíbrio reprodutivo e para a conservação de espécies ameaçadas”, explica a pesquisadora e médica-veterinária.
Um dos estudos avaliou pinguins-de-magalhães, espécie encontrada nas costas da Argentina e do Chile e que também chega ao litoral brasileiro durante o período de migração. Os resultados mostraram que os animais tratados apresentaram uma resposta imunológica mais equilibrada durante a fase reprodutiva. Na prática, isso significa que o organismo conseguiu preservar melhor suas defesas naturais mesmo em um período de maior desgaste físico.
Outra pesquisa acompanhou bugios-ruivos, primatas ameaçados de extinção, infectados por Giardia, um parasita que também pode infectar seres humanos. Os pesquisadores observaram redução da presença do parasita e do risco de contaminação do ambiente, além da facilidade de administração do tratamento, que não exigiu contenção dos animais nem provocou efeitos adversos.
Na área da reprodução, outra pesquisa acompanhou duas pítons-reais. Após o uso do medicamento homeopático Folliculinum 6cH, utilizado em pesquisas relacionadas à regulação da função reprodutiva, os pesquisadores observaram melhora no desenvolvimento dos folículos, estruturas responsáveis pela formação dos óvulos.
“A homeopatia pode ser utilizada de forma segura em diferentes espécies e tem potencial para atuar tanto na manutenção da saúde quanto na prevenção de doenças. Em animais silvestres, ela apresenta uma vantagem importante: pode ser administrada sem aumentar o estresse provocado pela contenção, favorecendo o bem-estar durante o tratamento”, destaca a médica-veterinária. “Quando falamos em conservação da fauna, precisamos considerar soluções sustentáveis. A homeopatia não deixa resíduos ambientais, não contribui para a resistência bacteriana e pode auxiliar no controle de agentes infecciosos, inclusive aqueles de importância zoonótica, sempre como parte de estratégias integradas de manejo e saúde”, complementa.
Para Cideli, outro aspecto relevante é o potencial da homeopatia para apoiar programas de reprodução de espécies ameaçadas. “A manutenção do ciclo reprodutivo é um dos grandes desafios em animais silvestres mantidos sob cuidados humanos. Nossos estudos vêm apresentando resultados promissores relacionados ao equilíbrio da resposta imunológica e ao manejo reprodutivo, abrindo novas perspectivas para a conservação de espécies sem comprometer o equilíbrio do ecossistema”, conclui.