O Super El Niño devastador

Antes mesmo da chegada oficial da primavera, o Brasil já começa a sentir os efeitos de fenômenos climáticos extremos. A previsão de intensificação do chamado Super El Niño acende um alerta para toda a população, mas principalmente para quem convive ou trabalha com animais. Ondas de calor intenso, períodos prolongados de seca, tempestades severas e queimadas colocam em risco milhões de animais domésticos, de produção e silvestres.

Os animais sofrem tanto quanto os seres humanos com as mudanças bruscas do clima. A diferença é que eles dependem quase totalmente da ação das pessoas para se protegerem. Por isso, a prevenção é a principal ferramenta para evitar sofrimento e salvar vidas.

Nos dias de calor extremo, a prioridade deve ser garantir água fresca e limpa durante todo o dia. Os recipientes precisam ser abastecidos constantemente, pois a água aquece rapidamente. Sempre que possível, é importante distribuir mais de um bebedouro pela casa ou propriedade, especialmente para animais idosos ou com dificuldades de locomoção.

Outro cuidado essencial é oferecer sombra e ambientes ventilados. Cães acorrentados ao sol, aves em gaiolas expostas ao calor e animais confinados em locais sem circulação de ar podem desenvolver rapidamente hipertermia, uma condição que pode levar à morte em poucos minutos. Casinhas, canis e baias também devem ser protegidos da incidência direta do sol.

Os passeios precisam ser adaptados. O ideal é levar cães para caminhar apenas nas primeiras horas da manhã ou após o pôr do sol. Além do risco de desidratação, o asfalto pode atingir temperaturas superiores a 60 graus, causando queimaduras graves nas patas.

Os tutores também devem estar atentos aos sinais de superaquecimento. Respiração muito acelerada, salivação excessiva, língua extremamente avermelhada, fraqueza, vômitos, dificuldade para andar e perda de consciência são sinais de emergência veterinária. Nesses casos, o animal deve ser levado imediatamente para um local fresco e encaminhado ao atendimento veterinário.

As tempestades, cada vez mais frequentes e intensas, representam outro desafio. Muitos animais entram em pânico com trovões e fogos, podendo fugir, sofrer acidentes ou até provocar ferimentos em si mesmos. O ambiente deve ser preparado antecipadamente, com portas e portões fechados, identificação atualizada nas coleiras e um local seguro onde o animal possa permanecer durante a chuva.

Nas áreas rurais, produtores devem revisar cercas, drenagem, reservatórios de água e estruturas de abrigo para proteger rebanhos contra enchentes, ventos fortes e descargas elétricas. A alimentação também merece atenção, já que períodos prolongados de seca comprometem a qualidade das pastagens.

A fauna silvestre talvez seja uma das maiores vítimas dos eventos climáticos extremos. Queimadas, escassez de água e destruição de habitats obrigam muitos animais a invadir áreas urbanas em busca de alimento e abrigo. Ao encontrar um animal silvestre, a recomendação é nunca tentar capturá-lo sem orientação técnica. O correto é acionar os órgãos ambientais ou equipes de resgate da região.

Outro ponto importante é manter a vacinação e o controle de parasitas em dia. Alterações climáticas favorecem a proliferação de carrapatos, pulgas, mosquitos e outros vetores de doenças que podem afetar tanto os animais quanto os seres humanos.

Especialistas também recomendam que famílias tenham um plano de emergência para seus animais. Em casos de enchentes ou necessidade de evacuação, é importante já ter separados coleiras, caixas de transporte, medicamentos, documentos, ração e água suficiente para alguns dias. Muitas pessoas conseguem deixar suas casas rapidamente, mas acabam esquecendo que seus animais também precisam ser retirados em segurança.

As mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação do futuro. Elas já fazem parte da realidade brasileira e exigem uma nova postura de toda a sociedade. Cuidar dos animais durante eventos extremos não é apenas um gesto de carinho, mas uma responsabilidade ética e uma demonstração de respeito à vida.

Quanto mais preparados estivermos para enfrentar os efeitos do Super El Niño e de outros fenômenos climáticos, menores serão os impactos sobre aqueles que dependem completamente da nossa proteção. Afinal, prevenir continua sendo a forma mais eficaz de salvar vidas — humanas e animais.

Os comentários estão fechados.