
Novembro Azul Pet: conscientização sobre o câncer de próstata em cães e gatos
Durante o mês de novembro, a campanha Novembro Azul Pet busca conscientizar tutores sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata em cães e gatos, incentivando hábitos de cuidado e consultas regulares com o médico-veterinário.
Para aprofundar o tema, a médica-veterinária Carolina Cruvinel, com residência em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais e preceptora no setor de Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais do Hospital Veterinário da Uniube (HVU), compartilhou informações sobre os sinais de alerta, formas de prevenção e avanços no diagnóstico do câncer de próstata em cães e gatos.
“Realizar consultas preventivas ajuda a identificar anomalias prostáticas antes que causem sintomas”
Marcos Moreno– O que é o Novembro Azul Pet e qual é o principal objetivo dessa campanha?
Carolina Cruvinel– O Novembro Azul Pet é uma campanha de conscientização voltada à saúde reprodutiva dos machos, principalmente à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata em cães e gatos. A proposta é informar os tutores sobre os sinais de alerta e destacar a importância das consultas regulares com o médico-veterinário. Assim como acontece com os humanos, detectar precocemente possíveis alterações é essencial para garantir o bem-estar e a longevidade dos animais.
Marcos– Por que o diagnóstico precoce do câncer de próstata é tão importante em cães e gatos?
Carolina-O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento rapidamente, aumentando as chances de controle da doença e reduzindo complicações. Em muitos casos, quando o tumor é identificado em estágios iniciais, o animal pode ter boa qualidade de vida e até se recuperar completamente. Além disso, o acompanhamento clínico regular possibilita identificar outras alterações prostáticas, como inflamações ou infecções, antes que se tornem graves.
Marcos- Quais são os animais mais propensos a desenvolver o câncer de próstata? Existe uma idade de maior risco?
Carolina– Os cães machos não castrados, especialmente de raças médias e grandes, com mais de oito anos de idade, são os mais suscetíveis à doença. Já em gatos, o câncer de próstata é raro, mas pode ocorrer em machos idosos.
Marcos– Quais sinais clínicos podem indicar um problema de próstata nos pets?
Carolina- Os sinais mais comuns incluem dificuldade para urinar ou defecar, presença de sangue na urina, dor abdominal, constipação e aumento perceptível do volume da próstata. Em alguns casos, os animais podem demonstrar apatia, perda de apetite ou até dificuldades para se locomover.
Marcos– Como é feito o diagnóstico veterinário da doença? Quais exames são utilizados?
Carolina– O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames complementares, como toque retal, ultrassonografia abdominal, radiografias, análise de urina e biópsia prostática, que confirmam o tipo e o estágio da lesão. Esses exames permitem avaliar o tamanho da próstata, possíveis inflamações, presença de nódulos e se há indícios de metástases.
Marcos- É possível detectar alterações mesmo em animais sem sintomas?
Carolina– Sim. A detecção precoce é possível por meio de exames de check-up, especialmente em cães adultos e idosos. Realizar consultas preventivas ajuda a identificar anomalias prostáticas antes que causem sintomas. A recomendação é que os tutores levem seus pets ao veterinário pelo menos uma vez por ano, aumentando a frequência conforme a idade do animal.
Marcos– A castração realmente ajuda a prevenir o câncer de próstata? Em que idade ela é mais indicada?
Carolina– Sim. A castração é uma das medidas mais eficazes de prevenção, pois reduz a estimulação hormonal da próstata e, consequentemente, o risco de doenças prostáticas. O procedimento é indicado entre seis e doze meses de idade, dependendo do porte e da raça. Além da prevenção, a castração contribui para o comportamento e para a saúde geral do animal, evitando também tumores testiculares e infecções.
Marcos-Quais hábitos de rotina os tutores podem adotar para cuidar melhor da saúde reprodutiva dos pets?
Carolina– Manter consultas e exames de check-up regulares, controlar o peso corporal, oferecer uma alimentação equilibrada, proporcionar atividades físicas e observar atentamente qualquer alteração urinária, comportamental ou física. Caso note mudanças no comportamento, apatia ou dificuldade para urinar, o tutor deve procurar imediatamente um médico-veterinário.
Marcos-Além do câncer de próstata, que outras doenças podem ser prevenidas com acompanhamento veterinário regular?
Carolina- O acompanhamento periódico permite prevenir doenças como infecções urinárias, hiperplasia prostática benigna, orquites (inflamação dos testículos), tumores testiculares, além de doenças hormonais e metabólicas. O monitoramento clínico e laboratorial é essencial para manter a saúde integral dos pets.
Marcos- Quando o câncer é diagnosticado, quais são as opções de tratamento mais eficazes atualmente?
Carolina- O tratamento depende do estágio da doença, podendo incluir castração, cirurgia para remoção do tumor, quimioterapia, radioterapia e tratamento de suporte para controle da dor e inflamação. Em alguns casos, o manejo clínico é associado a terapias complementares para melhorar a qualidade de vida do animal.
Marcos– O câncer de próstata em animais tem cura? Quais fatores influenciam o prognóstico?
Carolina– O prognóstico varia conforme o estágio da doença, tipo histológico do tumor, presença de metástases e resposta individual ao tratamento. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controle da enfermidade e de boa qualidade de vida para o animal.