A Festa Rave de Pirassununga


Quando o lazer desafia o equilíbrio

Por Tobias Ferraz

A população de Pirassununga está atenta ao noticiário, com os ouvidos nas rádios locais e os olhos nas plataformas digitais. Acontece que este abril já entrou para a história da cidade como o mês do caso da festa rave.

Uma empresa de eventos sublocou uma fazenda, na estrada entre a cidade e Cachoeira de Emas. O plano era fazer uma grande festa, para receber entre 10 mil e 20 mil pessoas para uma balada de mais de vinte e quatro horas de música em alto volume e ambientação com luzes intensas.

Acontece que a propriedade tem Área de Preservação Permanente (APP), o que exige uma série de cuidados e protocolo ambiental específico. A APP é lar e abrigo de muitas espécies de animais silvestres, fato que demanda maiores cuidados.

Sabendo do portentoso evento, um grupo de moradores começou a questionar os procedimentos para liberação da festa. Autoridades, especialistas e advogados foram acionados. Órgãos públicos municipais foram consultados e o acesso aos documentos mostrou uma série de irregularidades. Entre elas, a ausência de laudos técnicos que garantam o baixo impacto do espetáculo para vida silvestre, o laudo sobre segurança no caso de incêndio e rotinas de emergência, entre outros.

A coisa andou, foi parar na Justiça e o juiz da comarca mandou suspender a festa na floresta. Mas a história não termina aí.

A empresa de eventos insiste na realização da festa. Diz que vai acontecer de qualquer jeito, mesmo sob a negação do juiz.

Nesta semana, além dos aviões da Esquadrilha da Fumaça que partem da Base Aérea para seus treinos acrobáticos, paira no ar de Pirassununga a expectativa para o desfecho do caso. A cidade está dividida. Tem gente torcendo pela paz dos bichos e outra turma pela realização da festa.

Nessas horas, pede o bom juízo, que se avalie quem lucra com o quê.

Fazer dinheiro às custas do meio ambiente é muito lucrativo, mas sai muito mais caro para as gerações futuras, que sofrerão as consequências com a irresponsabilidade de quem deveria zelar e preservar.

Natureza em festa é muito bom, já festa com milhares de pessoas perto da mata é preocupante e pode gerar pânico e sofrimento nos seres ingênuos e inocentes que moram ali.

Deixar os bichos em paz é sempre uma sábia decisão.

Tobias Ferraz

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