
A petição criada na plataforma Change.org pedindo a federalização do caso Orelha registrou um novo pico de assinaturas nos últimos dias, impulsionada pela divulgação do resultado das investigações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O movimento popular ganhou força após o órgão pedir, na última terça-feira (12), o arquivamento do caso — decisão que provocou indignação entre ativistas, protetores de animais e cidadãos de todo o país.
No total, mais de 50 abaixo-assinados foram criados em torno do caso Orelha em diferentes plataformas. O maior deles, criado pelo Felca, lidera o movimento. Juntas, todas as petições já ultrapassam a marca de 1 milhão e 500 mil assinaturas, consolidando o caso Orelha como um dos maiores movimentos de mobilização popular da história recente do Brasil em defesa dos direitos dos animais.
A petição da Change.org teve a adesão de personalidades públicas, entre elas a atriz Carol Castro, que além de assinar o documento gravou um vídeo publicado diretamente na página da petição, convocando seus seguidores a se unirem à causa e pedindo a transferência do caso para a esfera federal.
O que pede a petição
O texto da petição, assinado por milhares de brasileiros, expressa preocupação com a condução do caso no âmbito estadual e aponta para indícios de irregularidades no processo. A petição denuncia que há fortes evidências de que o sistema judiciário não estaria operando de acordo com as normas legais, com provas supostamente ocultadas e pessoas envolvidas em irregularidades sendo favorecidas.
Os signatários defendem que a federalização do caso é o único caminho para garantir uma investigação justa, robusta e livre de influências locais indevidas — e ressaltam que o episódio pode servir de precedente para outros casos críticos no país.
As últimas atualizações do caso
Após análise de quase 2 mil arquivos, vídeos e laudos técnicos, o Ministério Público de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha não foi morto após ser agredido por um grupo de adolescentes, mas sim devido a uma condição de saúde grave e preexistente. O órgão divulgou sua decisão na última terça-feira (12) e pediu à Justiça o arquivamento do caso.
O MPSC destacou que a análise das câmeras de vigilância confirmou um descompasso de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelos sistemas de monitoramento utilizados na investigação, e que não há imagens ou testemunhas que comprovem a presença do cão na faixa de areia no horário apontado como o da suposta agressão.
A Promotoria também afirmou que a versão da agressão surgiu com base em comentários divulgados em redes sociais e boatos, incluindo menções a um suposto vídeo da agressão que nunca existiu, e que a repercussão dessas versões teria levado a uma atribuição precoce de autoria, prejudicando a análise de outras linhas investigativas.
Além de solicitar à Justiça o arquivamento do caso principal, também foi arquivado o inquérito que investigava coação dos familiares dos adolescentes a supostas testemunhas. O MP de Santa Catarina solicitou ainda o envio de cópia dos autos à Corregedoria da Polícia Civil do estado para análise de possíveis irregularidades na investigação.
A decisão, no entanto, não encerrou a mobilização popular. Ao contrário: reacendeu o debate nas redes sociais e provocou um novo afluxo de assinaturas nas petições, com muitos signatários argumentando que o arquivamento é exatamente a prova de que o caso precisa ser levado à esfera federal.
Sobre o abaixo-assinado
A petição “Federalizar o caso Orelha” está disponível na plataforma Change.org e pode ser acessada e assinada por qualquer cidadão brasileiro. O movimento segue ativo e convoca a população a continuar pressionando pelas vias legais e democráticas em defesa de uma investigação justa e imparcial.