Pet como filho: como a mudança no perfil do tutor está transformando o negócio das clínicas, hotéis e daycares

O pet deixou de ocupar apenas um espaço afetivo dentro das famílias e passou a influenciar também decisões de consumo. Segundo a pesquisa “Mercado Pet no Brasil 2026”, do Opinion Box, 84% dos tutores consideram seus animais parte da família e 80% afirmam que gastam o quanto for necessário para mantê-los seguros e saudáveis. O comportamento ajuda a explicar a expansão de serviços que vão além dos cuidados básicos e coloca clínicas, hotéis, daycares e empresas especializadas diante de um novo perfil de consumidor.

O movimento já aparece nos negócios. Dados divulgados pelo Sebrae em julho mostram que a abertura de pequenos empreendimentos ligados ao mercado pet cresceu 22% entre 2023 e 2025, com mais de 41,6 mil novos negócios. Hospedagem, creches e pet sitter estão entre os serviços impulsionados pela mudança de comportamento dos tutores.

Para Cleber Santos, especialista em comportamento animal e CEO da ComportPet, eleita a melhor creche para cães do Brasil, a transformação começa na própria relação entre as famílias e seus animais. “Se antes os animais eram vistos principalmente como companhia, hoje ocupam um espaço central dentro das famílias. Em muitos lares, eles são tratados como filhos e participam da rotina, das viagens e dos momentos mais importantes da vida”, afirma.

O que mudou na procura por serviços

O tutor atual não busca apenas um local seguro para deixar o animal enquanto trabalha ou viaja. A expectativa é encontrar ambientes que contribuam para saúde, socialização, comportamento e qualidade de vida.
“O tutor busca um ambiente onde o animal seja estimulado, acolhido e tratado com o mesmo cuidado que receberia em casa”, explica Cleber.

Essa mudança faz com que daycare e hotelaria sejam percebidos como parte da rotina de cuidados, e não apenas como serviços ocasionais. O acompanhamento comportamental também ganha espaço à medida que os tutores passam a compreender que comportamento está diretamente ligado ao bem-estar.

A régua de exigência subiu

A humanização também mudou a expectativa sobre a experiência oferecida pelos negócios. Segurança e bons cuidados continuam fundamentais, mas o tutor passou a valorizar personalização, conforto e atenção aos detalhes.

“Hoje os tutores procuram muito mais do que segurança e bons cuidados. Eles buscam bem-estar, experiências diferenciadas e atendimento personalizado”, afirma.

Segundo o especialista, essa lógica aproxima o mercado pet de padrões de consumo já presentes em outros setores. “O tutor quer proporcionar ao pet o mesmo padrão de cuidado que busca para si.”, comenta.

É nesse contexto que ganham espaço propostas relacionadas a socialização, enriquecimento ambiental, acompanhamento individualizado e outras experiências de bem-estar. Para Cleber, a percepção de luxo também mudou: “Luxo, hoje, não significa apenas algo caro. Significa conforto, cuidado, personalização, atenção aos detalhes e uma experiência memorável”, completa.

Empresas precisam olhar para o tutor e para o pet

A mudança no consumidor também exige uma transformação na gestão dos negócios. Na avaliação de Cleber, não basta oferecer um bom serviço para o animal: é preciso tornar toda a jornada mais simples para quem está do outro lado.

“As empresas precisaram deixar de pensar apenas no pet e passar a olhar também para a experiência do tutor”, afirma.

A mudança, portanto, não está apenas no que os tutores compram, mas no que esperam das empresas. Em um mercado no qual o animal é tratado cada vez mais como parte da família, negócios que conseguirem unir conhecimento técnico, conveniência e bem-estar tendem a ganhar espaço.

“O futuro pertence às empresas que unem conhecimento técnico, inovação e foco no cliente. Não cuidamos apenas dos pets. Cuidamos das famílias”, conclui Cleber.

Cleber Santos

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