
Oscilação climática típica da estação pode agravar problemas respiratórios e dores articulares, especialmente em filhotes, idosos e raças braquicefálicas.
Madrugadas geladas e tardes quentes. O cenário, comum durante o inverno em diversas regiões do Brasil, traz um desafio que vai além da saúde humana: os impactos da amplitude térmica no organismo de cães e gatos. A variação brusca de temperatura exige dos animais um esforço duplo de termorregulação, o que pode desencadear crises respiratórias e agravar doenças preexistentes.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o inverno brasileiro combina massas de ar seco, baixa umidade e oscilações térmicas severas ao longo do mesmo dia. Essa combinação resseca as vias aéreas dos animais e acende o alerta para os tutores.
Assim como nós, os pets precisam manter a temperatura corporal estável, em torno de 37°C a 39°C. “A grande preocupação não está nos dias isolados de frio ou calor, mas sim na velocidade dessa transição. Essas oscilações repentinas sobrecarregam o sistema imunológico e articular dos animais mais sensíveis”, explica Dra. Sibele Kono, diretora médica do Grupo Pet Care.
Principais riscos: do sistema respiratório às articulações
Os impactos da “gangorra térmica” variam de acordo com a idade e a anatomia do pet. As raças braquicefálicas (de focinho curto, como Pugs, Bulldogs, Shih Tzus e gatos Persas) são as que mais sofrem. Por terem vias aéreas mais estreitas, apresentam dificuldade natural para dissipar o calor e tolerar o frio, tornando-se alvos fáceis para tosses, alergias e falta de ar.
Por outro lado, o frio das primeiras horas do dia é um vilão para pets com problemas osteoarticulares, como artrite, artrose e displasia. A queda na temperatura aumenta a rigidez muscular e a sensibilidade das articulações. O tutor deve ficar atento se o animal demonstrar relutância para caminhar, dificuldade para se levantar ou se isolar em cantos mais aquecidos.
Como proteger os pets na rotina?
Embora a oscilação do clima seja inevitável, cuidados simples ajudam a mitigar os danos à saúde animal:
• Uso consciente de roupas: Agasalhos são indicados para a madrugada e início da manhã (sobretudo para filhotes, idosos e animais de pêlo curto), mas devem ser retirados à tarde para evitar o superaquecimento.
• Ambiente protegido: Camas e mantas devem ficar longe de correntes de ar.
• Estímulo à hidratação: O tempo seco exige água fresca sempre disponível para manter as vias respiratórias lubrificadas.
• Atenção aos sinais: Apatia, tremores, perda de apetite ou mudanças na mobilidade são sinais de alerta.
“Quanto mais precoce for a avaliação veterinária diante de uma mudança de comportamento, menores são as chances de o quadro clínico evoluir para uma complicação grave”, orienta Dra. Sibele.
A preocupação com o bem-estar animal reflete a relevância do setor no país. O Brasil possui hoje a terceira maior população pet do mundo, com cerca de 160,9 milhões de animais de estimação, sendo 62,2 milhões de cães e 30,8 milhões de gatos, segundo dados do Instituto Pet Brasil (IPB) e da Abinpet. Com uma média de 1,8 pet por residência, os cuidados preventivos de saúde tornaram-se parte essencial da rotina das famílias brasileiras.