A polêmica em torno da “alma” dos animais.

 O Papa Francisco é realmente uma pessoa especialmente iluminada. Ele já deu esperança aos gays, aos casais não casados e até aos defensores da teoria do Big Bang. Todo mundo viu, especialmente as pessoas que adoram bichos, uma foto dele acariciando um cão. Recentemente, o Papa ao consolar uma criança que havia perdido seu cão e estava muito triste, disse em público que “o Paraíso está aberto a todas as criaturas de Deus”. Embora não tenha ficado claro que as declarações do Papa ajudaram a confortar o menino, elas foram recebidas por organizações como a Humane Society e a People for the Ethic Treatment of Animals (PETA), que as viram como repúdio da teologia católica conservadora segundo a qual animais não podem ir para o céu porque não têm alma.

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Charles Camsoy, escritor e professor de ética cristã na Universidade Fordham, disse que era difícil saber com precisão o que Francisco havia pretendido dizer, porque ele falou “em linguagem pastoral, e não de forma a ser dissecada pelos acadêmicos”.
Mas, perguntado se a declaração havia causado novo debate sobre os animais terem ou não almas, sofrerem e poderem ir para o céu, Camsoy respondeu: “Em duas palavras: com certeza”.
Em seu mandato relativamente curto como líder de mais de um bilhão de católicos romanos do planeta, depois de substituir Bento 16, o Papa Francisco vem causando repetidos incômodos aos conservadores da Igreja Católica.
Seu nome foi escolhido em homenagem a São Francisco de Assis, o santo padroeiro dos animais. Então, não é na verdade uma surpresa que ele tenha consolado com essas palavras a criança que perdeu seu cão.
O Papa já foi citado na mídia italiana por ter mencionado passagens bíblicas que afirmam que os animais vão para o céu e, mais ainda, que lá, no paraíso, todos se dão bem.
O padre James Martin, jesuíta e editor sem pauta da revista católica norte-americana “América”, diz que Francisco estivesse ao menos afirmando que “Deus ama e Cristo redime toda a criação”, ainda que teólogos conservadores tenham declarado que o Paraíso não tem lugar para animais.
A questão dos animais terem ou não lugar no céu foi tema de debates emotivos ao longo de boa parte da história da Igreja. O Papa Pio 9º (1846 A 1878) que comandou a Igreja Católica neste, que foi o mais longo período de papado, sustentava a doutrina que os animais não têm consciência. Ele até tentou impedir a fundação de uma divisão italiana da Sociedade pela Prevenção da Crueldade contra os Animais.
O Papa João Paulo 2º parece ter revertido a postura de Pio 9º nos anos 90 ao proclamar que os animais têm alma e “estão perto tão perto de Deus quanto o homem”. Mas o Vaticano não divulgou amplamente essa declaração.
O sucessor de João Paulo 2º. Bento 16, pareceu rejeitar enfaticamente essa visão em um sermão de 2008 no qual afirmou que quando um animal morre, “isso significa o fim de sua existência na terra”.
A aparente reversão por Francisco da declaração de Bento poderia ter enormes conseqüências, disse Christine Gutleben, diretora sênior de contrato com religiões da Humane Society. “Se o Papa quis dizer que todos os animais vão para o céu, a implicação é de os animais têm alma”, afirmou ela. “Se isto é verdade, então deveríamos começar a refletir seriamente sobre como os tratamos. Precisamos admitir que eles são seres conscientes, e que significam algo para Deus”.
Determinar se as declarações do Papa se provarão uma razão nova e persuasiva para que as pessoas abandonem o consumo da carne, um desdobramento potencialmente preocupante para as bilionárias indústrias de carne é algo que não há como responder agora.
Historicamente a igreja Católica jamais foi clara sobre essa questão, justamente porque ela implicaria muitas outras. De concreto temos a foto histórica do Papa acariciando um cachorro.

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