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Foto: Ramon Magela

Músico, escritor, produtor cultural, artista visual, designer e publicitário. Portanto, as atividades desse homem multimídia são muitas e intensas. E suas responsabilidades como representante de varias classes, idem. Na área ambiental, é coordenador do portal “Voz do Cerrado”, do “Ponto de Cultura Cordas do Cerrado”- que une arte e consciência ambiental e também do “Movimento Marcadas para Morrer ou Viver- Depende de Nós”. Participou ativamente do movimento “Abraço ao Bosque”, em defesa do Bosque Jacarandá e animais do zoológico, originando a proposta do Hospital Municipal Veterinário. Presidente do TEU, coordenador de vários projetos, membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais, voluntário do CONPHAU, representante regional da Câmara de Comércio Índia Brasil – BH, entre tantas coisas. Daí a pergunta: sobra tempo para ter animais de estimação? Quem sabe faz a hora, quem ama acha o tempo.

 

“Não somos a única espécie que raciocina, como geralmente se diz”

 

Marcos Moreno -Você sempre gostou de animais ou algum fato te despertou para isto?
Cacá Sankari– Sempre gostei de animais. Minha infância foi marcada pelo contato com a natureza, principalmente nas fazendas de meus parentes e Fazenda Modelo, que meus pais, Vivaldi e Gina, sempre me levavam.

Marcos– Já teve algum especial ou todos são?
Cacá– Todos são especiais, mas impossível esquecer o primeiro animal da família, Banzé, um fox paulistinha, muito alegre, carinhoso e temperamental. Me lembro que meu pai o levou para a zona rural, por causa de seu temperamento, e chorei tanto que meu pai teve de buscá-lo. A Titinha, uma galinha amorosa, xodó de minha irmã Denise, e o índio, um galo forte e genioso. A Fane foi muito especial, livre e carinhosa. Visitava os vizinhos, onde muitos tinham até uma vasilha de água a esperando. O Bilu era também muito carinhoso e brincalhão. O Bingo, muito especial, foi meu grande companheiro, e presenciou a produção de vários CDs, livros, pinturas, ficando no estúdio comigo o dia todo, se preciso fosse, deixando uma herdeira querida, a Nala, muito amorosa. Hoje, em casa moram comigo a Nina, que morava nas ruas, e seus filhos Nino e Lindinha, onde formamos uma família feliz, graças a Deus, junto com os passarinhos, pardais, bem-te-vis, maritacas, rolinhas.

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Marcos– A escolha dos nomes sempre passa pela criatividade. Como foi no seu caso?
Cacá– Cada animal tem uma história diferente. A maioria dos nomes foi procurando sentir a personalidade de cada um e qual melhor nome se identificava mais. Outras vezes alguém próximo sugeriu um nome e já ficou assim, batizado.

Marcos– Qual o limite que não deve ser ultrapassado? (para que não haja confusão entre bichos e gente?)
Cacá– Acredito que principalmente na questão de higiene, onde o pet deve ter uma área externa, de preferência com grama, e passeios diários, o que é benéfico também para seu bem estar e relaxamento. No mais, que haja bom senso.

Marcos– Você acha que os pets entendem o que falamos ou só entendem comandos?
Cacá– Acredito que os pets sentem e pensam. Não somos a única espécie que raciocina, como geralmente se diz. Aos poucos a ciência irá investigar mais sobre o assunto e ter um novo olhar sobre os pets, todos os animais, plantas e seres vivos.

Marcos– No universo de animais selvagens, qual o que mais te atrai?
Cacá– Tenho amor e respeito por todos eles, no entanto o lobo guará, o tamanduá, as araras e maritacas, garças, jaguatiricas, o tatu, entre outros, me chamam a atenção, entendendo “selvagem” no sentido de habitats mais nativos e que podem conviver também com o “doméstico”, com destaque para o pavão, vaca e cavalo que também aprecio demais. Um dos principais objetivos do portal “Voz do Cerrado”, que idealizei e coordeno, é a defesa e preservação dos animais silvestres, os corredores ecológicos para que possam transitar entre as propriedades rurais, as passarelas ecológicas, para que possam atravessar as rodovias, e o resgate em caso de atropelamento e queimadas, encaminhados para um Hospital Veterinário do Município. Infelizmente “o que os olhos não veem o coração não sente”, e por isso muitos animais silvestres são maltratados e mortos sem que a maioria de nós saiba, e ficamos impotentes na maioria das vezes.

Marcos– Que espécie de animais você jamais teria como pet e por quê?
Cacá– Em tese acredito que qualquer animal eu poderia ajudar a cuidar, se preciso fosse, ainda que temporariamente, desde que a área de manejo fosse adequada para o habitat natural dele, e eu tivesse a orientação para tal, onde um dia pudesse retornar para uma reserva animal, por exemplo.

Marcos– Você é contra certas culturas como touradas da Espanha ou as vaquejadas praticadas no nordeste brasileiro?
Cacá– Sou totalmente contra. Acredito que a vida e o bem estar animal, seja de qual espécie seja, devem estar acima dos costumes culturais regionais, que com o tempo irão mudar, diante da nova consciência do terceiro milênio.

Marcos– Um filme com animal.
Cacá– “Sempre ao seu lado”, baseado em uma história real entre o cachorro Hachiko (da raça Akita) e o professor Parker (Eisaburo no original japonês), interpretado por Richard Gere. Uma história de lealdade, amor, amizade, que transcende a morte. “Em 21 de abril de 1934, foi erguida uma estátua de bronze de Hachiko, esculpida pelo escultor Teru Ando, e atualmente se encontra no portão de bilheteria da estação de Shibuya”, no Japão

Marcos– Uma mensagem aos humanos em relação aos animais.
Cacá– Estamos aqui há apenas alguns “segundos”, se comparado com os bilhões de anos do Planeta Terra. Somos todos filhos da Mãe Terra, filhos de Deus, homens, animais, seres vivos, filhos do mesmo ventre, que deve ser respeitado e louvado com amor e sabedoria. Não somos “donos de nada”, nem da terra, nem dos bichos, nem de ninguém. Os nossos irmãos são bênçãos da vida e do Criador para que saibamos que existe o amor incondicional, a bondade, a pureza, a inocência, o amor fraternal, a mensagem divina presente e materializada, tão próxima de nós, para que lembremos quem somos, de onde viemos e quais os verdadeiros valores devemos preservar e desenvolver, para nossa evolução moral e espiritual. Infelizmente perdemos o “paraíso perdido” da inocência, da pureza, da bondade, vivendo em um mundo de egoísmo, depravação e maldade, tendo porém o dever de através da inteligência buscarmos minimizar esses efeitos, tanto para o próprio ser humano quanto para todos os seres vivos, que sofrem a consequência de nossas irresponsabilidade, das quais contraímos as dívidas, no livro da vida, na lei da ação e reação. Quando era criança acreditava que se alguma espécie animal fosse extinta pelas mãos humanas, o ser humano também seria extinto. Hoje, adulto, sei que milhares de espécies da fauna e flora já foram extintas pela “civilização”. Que Deus tenha piedade de nós e busquemos lutar para que outras espécies ameaçadas não tenham o mesmo triste fim da existência, e abençoe todos os animais e seres vivos do planeta, dos quais somos humilde parte.