Guilherme Borges Moraes


Sobre escolhas

A Medicina Veterinária não foi sua primeira opção no momento de se decidir por uma faculdade. Ingressou no curso de Administração. Mas Guilherme viu rapidamente que não era essa a sua escolha vocacional verdadeira e correu para a outra faculdade, a que definitivamente o levaria para a carreira para a qual foi talhado já na infância, quando acompanhava seu avô, Juarez Borges, na lida da fazenda, no trato do gado, dos animais domésticos. Esse sempre foi seu universo. Durante a graduação no curso de Medicina Veterinária teve oportunidade de participar de grupos de estudo que prestavam serviços em fazendas da região. Nessas ocasiões teve contato direto com casos interessantes envolvendo animais de pequeno e médio portes, aprendizado que ele hoje valoriza bastante no seu corrido dia-a-dia. Colabora com o trabalho de protetores de animais sempre que possível. É um profissional dedicado e fez uma opção de trabalho com atendimento em domicílio, buscando facilitar a vida de tutores que, por variados motivos, encontram dificuldade em levar os animais às clínicas para consultas. O dr. Guilherme é o primeiro entrevistado de 2021 do Moreno Pet Blog, que dessa forma cumpre o objetivo de sempre oferecer para os seguidores o melhor conteúdo.

“…quero salientar o relevante trabalho dos protetores que resgatam e cuidam de animais de rua, conduzindo esses animais para uma possível adoção”

Marcos Moreno: A opção pela formação acadêmica aconteceu em função do seu contato desde cedo com animais de grande porte em fazendas de propriedade da família?
Guilherme Borges Moraes– Sempre tive contato com animais, tanto de grande como de pequeno porte. Minha infância passada na fazenda de meu avô e na fazenda do meu tio em Araxá, com certeza, influenciou na minha escolha em fazer veterinária.

Marcos– Animais domésticos de pequeno porte, como cães e gatos também despertaram sempre interesse?
Guilherme– Quando criança sim. Sempre tive animais em casa. Já na faculdade, durante o curso, tive preferência pelo estudo de animais de grande porte. A participação em grupos de estudos que prestavam serviço em fazendas da região, ofereciam estudos clínicos muito interessantes com bovinos e equinos e isso chamava muito a minha atenção.
Porém, depois de formado, surgiu uma oportunidade de estágio na área de clínica e cirurgia de pequenos animais. Esse trabalho despertou meu interesse pela área. Sou muito grato a oportunidade que me foi dada, na ocasião pelo Dr. Farley Gomides Torres. Com ele aprendi muito e senti vontade de me aprofundar e trabalhar na área. Foi com essa experiência que vi que a minha verdadeira vocação era na medicina e não na produção, como é o caso de animais de grande porte.

Marcos- O trabalho com animais de pequeno e grande porte são completamente diferentes do trabalho com grandes animais, de rebanho por exemplo?
Guilherme– Sim. Apesar das bases de medicamentos serem bastante semelhantes, no caso de bovinos, que foi a área que tive mais contato, o foco é na produção (carne e leite), e na reprodução. Já a área de pequenos animais é mais focada no bem estar e na saúde dos pets. Por isso que eu digo que com pequenos animais a atuação do veterinário é mais na área médica. E com os animais de grande porte está mais ligado a cuidados com a nutrição e reprodução.

Marcos- O que é comum em termos de doença/tratamento nos dois casos?
Guilherme- Algumas doenças transmitidas por ectoparasitas (carrapatos) tem diagnóstico e tratamento semelhantes. E são bastante comuns nos dois casos. Mas são mais frequentes as diferentes doenças que acometem animais de pequeno e de grande portes.

Marcos– A cada dia cresce o número de vacinas que protegem os animais domésticos de doenças. Ainda estamos longe do ideal?
Guilherme- Hoje o leque de vacinas é bastante amplo e de grande eficácia, quando produzidas por laboratórios confiáveis. Um animal com o calendário de vacinas completo dificilmente terá problemas com alguma das doenças cobertas pela vacina e, consequentemente, será um animal saudável sempre.

Marcos– Até a algum tempo o máximo que as pessoas faziam era vacinar o cachorro (por exemplo) contra raiva. Nem gatos era vacinados com frequência. Que cuidados com a saúde de um pet hoje está muito distante disto?
Guilherme– Atualmente, grande parte das pessoas já tem em mente a importância da vacinação completa, porém ainda há um longo caminho até um cenário ideal nesse aspecto. Quem tem um pet, em casa, convivendo com a família, tem que estar atento aos sinais que podem mostrar alguma alteração na saúde do animal.
É muito comum a gente atender animais que já estavam apresentando sintomas de doenças, muitas vezes graves, e só são levados ao veterinário quando há o agravamento expressivo desses sintomas. Essa demora na busca de um atendimento profissional leva a uma intervenção tardia que pode impossibilitar que o veterinário salve a vida do animal.
Mas por outro lado cuidados com higiene básica, controle de parasitas e castrações tiveram um avanço muito grande. Atribuo isso à facilidade maior de acesso à informação sobre os cuidados e os benefícios que estes procedimentos trazem para o animal. Espaços como este blog, por exemplo, são extremamente importantes pois têm a função de levar esse tipo de informação aos tutores de pets.

Marcos- Os pets estão mais sensíveis ou isto é uma mudança natural por uma questão cultural?
Guilherme- Os pets se tornaram parte da família e também devido ao tratamento humanizado que os animais de companhia vêm recebendo, ultimamente, muitos se tornaram mais sensíveis a mudanças de rotina. Alguns até tornam-se dependentes da companhia humana de uma forma até prejudicial, levando em conta que o animal as vezes não terá uma atenção pelo tempo todo como foi acostumado. Então o recomendado, é que o animal seja tratado como tal, com limites, espaço definido, etc. Lembrando que a exigência de atenção varia conforme a espécie e a raça, sendo aconselhável um estudo prévio.

Marcos– Quais são as doenças que mais acometem cães e quais as mais difíceis de terem um bom resultado com tratamento?
Guilherme– As principais são, doença do carrapato (erlichiose), cinomose, infeções de pele, e no caso de cadelas, infeção de útero e tumores mamários. No caso da cinomose, o tratamento é bastante oneroso e mesmo assim os resultados, muitas vezes, não são satisfatórios. Porém com uma vacinação completa, o risco de uma infeção pelo vírus da cinomose é mínimo.

Marcos– O que mudou no segmento veterinário por causa dessa pandemia ou o segmento permaneceu inalterado?
Guilherme– Houve um aumento na procura por atendimento veterinário e principalmente no serviço de banho e tosa. Talvez pelo tempo passado dentro de casa, em contato maior com os pets, os tutores notaram a necessidade de melhorar os cuidados com seus animais.

Marcos– A pergunta que todos querem fazer: animais domésticos são ou não são passíveis de serem infectados pelo Covid 19?
Guilherme– Até agora foram detectadas presença do covid 19 em alguns animais, sendo casos raríssimos, porém o consenso é que eles não têm papel importante na propagação do vírus. Como o vírus é muito novo, muitos estudos ainda precisam ser feitos, qualquer certeza com relação a isso, seria precipitada.

Marcos-Há algum procedimento recomendável no convívio com os animais nesses tempos de pandemia?
Guilherme– Seriam os mesmos que para outras atividades de contato, ainda mais no caso do animal conviver com outras pessoas, ou ter acesso a rua. Então lavar as mãos e utilizar o álcool gel após o contato com os pets é recomendado.

Marcos-Você poderia deixar uma mensagem para os seguidores do blog?
Guilherme- Vejo, cada vez mais, que as pessoas optam por terem pets em casa. O contato com animais é extremamente benéfico a crianças e adultos. É muito comum ouvir que a presença do pet transformou a relação entre as pessoas da família. E com isso o cuidado com esses animais tem sido crescente. Como veterinário eu vejo com muito otimismo essas atitudes. Também quero salientar o relevante trabalho dos protetores que resgatam e cuidam de animais de rua, conduzindo esses animais para uma possível adoção. É um trabalho sério que independente do poder público consegue salvar muitos animais e consegue ainda encaminhá-los para famílias que se interessem em adotá-los.
Eu mesmo tenho em casa um cachorro que foi adotado. É uma prática que está ganhando cada vez mais adeptos. Diante disso é necessário destacar a importância do trabalho do médico veterinário. Com atendimento e orientações de um profissional esses animais têm qualidade de vida e longevidade. Esse é o principal objetivo do nosso trabalho.
Espaços como o Moreno Pet Blog, por exemplo, que difundem informações e incentivam boas práticas, desempenham um papel de extrema relevância na conscientização da sociedade sobre a causa animal. Só com um trabalho de equipe entre profissionais da saúde animal e voluntários que os resultados podem aparecer.

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